Resenha: Cavaleiro Negro, do Davi Paiva

Depois de uns meses sem postar, estamos aí de volta e com a resenha do livro Cavaleiro Negro, do autor Davi Paiva, publicado pela Editora Darda. Se você gosta de sagas de fantasia com ambientação medieval, como O Senhor dos Anéis e As Crônicas de Gelo e Fogo, e outras da cultura geek como Star Wars, você vai curtir esse livro. Tem outras referências que eu não devo ter captado, mas que você pode me contar depois ;P

Cavaleiro Negro é como é apelidado o nosso protagonista, Fidler Koogan. Quando criança, seus pais são assassinados diante de seus olhos, e ele é levado a um orfanato em Ryddle, um canto esquecido e pobre do reino de Alfner, no mundo de Raysh, que é onde se passa essa história.

Mapa do Mundo de Raysh
Mapa do Mundo de Raysh

No início, Fidler parece uma criança muito boba e inocente, o que achei bastante coerente por causa da idade, cerca de 8 anos. Mas… as situações de desigualdade, corrupção, pobreza e injustiça que ele presencia diversas vezes e que fazem parte de seu cotidiano vão ser fundamentais para formar sua personalidade.

Um dia acontece uma tragédia e Fidler vai embora de Ryddle como aprendiz de um cavaleiro, jurando voltar para se vingar de quem fez mal às pessoas que lhe eram caras. O senhor Galloway, seu novo tutor, vai ensiná-lo a arte da esgrima. Existem dois estilos de luta: o Krigium, dos honrados, e o Menium, considerado pura força e trapaça.

A degradação moral do personagem com o passar do tempo é notável: tudo começa com mentiras, depois com roubo, chegando a mortes. A história dá saltos temporais, que eu achei bem colocados, principalmente nas mudanças de arco (são 7 ao todo). Fidler vai ficando mais cínico, interessado em lutas e magias questionáveis,  torna-se manipulador e também um excelente estrategista militar. Mas ele também é um personagem ambíguo. Em alguns momento o leitor pode ter pena e até acreditar que suas ações são justificadas. Gosto da construção dele, um herói com falhas de caráter. Eu o vejo como vilão.

davi paiva - cavaleiro negro
Esse é o Davi Paiva 🙂

Gostei muito de Cavaleiro Negro. É uma história simples e sem enrolação no desenvolvimento do enredo, o que faz a gente ler com rapidez. Acho que eu li mais ou menos um arco por dia. Muitas passagens me surpreenderam… quando eu achava que ia acontecer uma coisa, Fidler fazia algo totalmente inesperado.

A história tem muito da famosa fórmula da Jornada do Herói, e o Davi estuda esse tema. Ele mesmo diz: “Muitos escritores consideram a ‘fórmula’ da Jornada do Herói manjada e previsível. Embora eu a adore, reconheço que todos têm direito de aprender outras formas de contar as suas tramas”. Recomendo a leitura deste artigo aqui, principalmente se você é um aspirante a escritor. E essa que é a graça desse livro: por saber montar uma Jornada do Herói, ele ao mesmo tempo foge dos clichês que normalmente vemos nesse tipo de saga.

Título: Cavaleiro Negro
Autor: Davi Paiva
Ano: 2016
Páginas: 357
Editora: Darda

Nota: 8

 

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O Guia do mochileiro das Galáxias

Nesse Dia da Toalha (ou Dia do Orgulho Nerd, criado em uma época que ser nerd não era cool) nada mais propício do que falar d’O Guia do Mochileiro das Galáxias. Só tem um problema: a trilogia de cinco do Douglas Adams é uma das minhas maiores decepções literárias. Mas não entre em pânico, já vou explicar.

Arthur Dent é uma pessoa comum que mora num local comum, mas num belo dia tem que impedir a prefeitura de demolir sua casa porque no local irá ser construída uma via expressa. Ao mesmo tempo em que tenta salvar sua casa, descobre que seu melhor amigo, Ford Prefect, é um alienígena, e enquanto isso os vogons tentam destruir a Terra para… adivinha? Construir uma via expressa hiperespacial! Ford pede carona com seu sinalizador subeta e os dois embarcam na nave vogon para incríveis aventuras como já diria um anúncio de sessão da tarde.

Parece legal, né? Sim, e o primeiro volume da série é legal mesmo, bem engraçado e tem umas sacadas geniais. Só que como tem uma continuação, a coisa começou a desandar. O  segundo volume da série é O Restaurante no fim do Universo, e apesar de já não manter o ritmo do primeiro ainda empolga um pouco. A vida, o universo e tudo mais, terceiro título, é bem mais arrastado e em algum momento as piadas e a história que não vai a lugar nenhum começam a cansar. O autor saiu demais da linha central da história e isso me deixou de saco cheio. Pior livro da série, sem dúvida.

colecao guia do mochileiro

No penúltimo volume, Até mais e obrigado pelos peixes, o Douglas Adams resgata alguns elementos anteriores e parece que as coisas vão tomar um rumo… mas no  considerado último, Praticamente Inofensiva, ele abre ainda mais a história e dá uma resolução bem porca pro fechamento da série. Também, escrito meio forçado 13 anos depois do lançamento do primeiro (em 1979)… muita gente nem considera que seja o fim da série, e daí não sei o que é pior: uma série sem final ou um final mal explicado.

Já sei que vão dizer que é porque não entendo o Douglas Adams, ou que eu “li errado” o livro, ou qualquer coisa assim. Não, só não me cativou porque eu criei uma super expectativa. Todo mundo falava que era maravilhoso, mas a minha definição de maravilhoso é bem diferente.

Alguns elementos dessa história pirada se tornaram ícones, como a tal da toalha (um item ESSENCIAL para qualquer mochileiro, que tem as mais variadas e estranhas utilidades), uma bebida chamada dinamite pangalática, o peixe-babel (que você coloca no ouvido e pode entender qualquer língua de qualquer raça no universo), o robô melancólico e depressivo Marvin,  o próprio Guia do Mochileiro das Galáxias, com seu alerta em letras amigáveis na capa NÃO ENTRE EM PÂNICO, e é claro o número 42 que é a resposta para a grande pergunta sobre a vida, o universo e tudo mais.

“O Guia do Mochileiro das Galáxias faz algumas afirmações a respeito das toalhas. Segundo ele, a toalha é um dos objetos mais úteis para um mochileiro interestelar. Em parte devido ao seu valor prático: você pode usar a toalha como agasalho quando atravessar as frias luas de Beta de Jagla; pode deitar-se sobre ela nas reluzentes praias de areia marmórea de Santragino V, respirando os inebriantes vapores marítimos; você pode dormir debaixo dela sob as estrelas que brilham avermelhadas no mundo desértico de Kabrafoon; pode usá-la como vela para descer numa minijangada as águas lentas e pesadas do rio Moth; pode umedecê-la e utilizá-la para lutar em um combate corpo a corpo; enrolá-la em torno da cabeça para proteger-se de emanações tóxicas ou para evitar o olhar da Terrível Besta Voraz de Traal (um animal estonteantemente burro, que acha que, se você não pode vê-lo, ele também não pode ver você – estúpido feito uma anta, mas muito, muito voraz); você pode agitar a toalha em situações de emergência para pedir socorro; e naturalmente pode usá-la para enxugar-se com ela se ainda estiver razoavelmente limpa.”

O Guia do Mochileiro das Galáxias – Douglas Adams

Meu comentário sobre a série aqui é bem breve porque eu li há dois anos, então não lembro detalhes. Só lembro que quis criar esse blog pra falar com sinceridade sobre os livros que eu li, já que muitas resenhas nunca contemplavam o que eu achava sobre uma obra. Obviamente eu acabei deixando de lado a resenha da série hehe

Série O Guia do Mochileiro das Galáxias (5 volumes)
Autor: Douglas Adams
Editora: Arqueiro
Ano: 2004

Garota de 12 anos lança livro em Florianópolis

Imagine que você tem novamente 12 anos e sonha em escrever um livro. Para muitos adolescentes, esse é um desejo real, que quase nunca é levado a sério por se tratar de pessoas muito jovens. Para Mariana Martinazzo, de Florianópolis, esse sonho se tornou realidade. Com apoio dos pais, ela publicou A vida de uma geek, que ontem ganhou espaço na Livraria Catarinense para uma sessão de autógrafos.

a vida de uma geek mariana martinazzo

O livro fala sobre os conflitos de amizade durante a adolescência e a dificuldade de lidar com os grupinhos que se formam, principalmente em colégios. A história está centralizada nos pensamentos e ações de Rayle, uma garota que faz parte do grupinho menos popular da escola, o dos estudiosos e geeks. “Eu acho que pensei mais nas meninas quando escrevi, mas os meninos também vão gostar, porque eles vão saber como as meninas se sentem, o que se passa na nossa cabeça nessa fase”, explica a jovem escritora.

Mariana sempre gostou muito de ler e escrever e teve influência da mãe, Manoella. “A história do livro foi uma surpresa. Ela sempre gostou de escrever muito, mas quando me mostrou o texto pronto, eu me surpreendi com a qualidade, e até perguntei se foi ela mesma quem tinha escrito”, diz a mãe.

Mariana estuda no 6° ano, no CEMJ (Centro Educacional Menino Jesus), onde também houve um evento de lançamento com debate entre os alunos de vários anos. “É uma sensação muito boa ver que eu consegui escrever um livro. Escrever é uma coisa que eu sinto tanto prazer em fazer, e agora poder ver a obra já realizada é muito bom”, diz a autora.