Anita Prestes lança livro sobre Olga Benario

No dia 19 de setembro, a historiadora Anita Leocádia Prestes, filha de Luis Carlos Prestes e Olga Benario, vem a Florianópolis lançar sua mais nova publicação, Olga Benario Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo. O debate de lançamento da obra acontece no auditório do EFI (Espaço Físico Integrado) da Universidade Federal de Santa Catarina, às 19h. O evento é gratuito.

No livro, a autora relata o que Olga Benario viveu de 1936 até sua morte, em 1942, a partir dos arquivos da polícia alemã. Anita destaca que não se trata de uma biografia de sua mãe: “trata-se de um relato objetivo sobre sua deportação para a Alemanha e sua vida na prisão e nos campos de concentração nazistas, apoiado nos documentos encontrados no arquivo da Gestapo”.

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Crédito: Ed. Boitempo

O “Processo Benario”, volume referente a Olga Benario, totaliza oito dossiês e mais de 2 mil documentos, entre cartas, fotografias e telegramas. A abertura dos documentos da Gestapo para consulta pública foi permitida a partir de 2015, e parte deles está disponível online. A digitalização completa dos chamados Trophäendokument deve terminar em 2018.

Alguns documentos reproduzidos no livro, considerados de grande importância para Anita Prestes são o passaporte concedido pelo consulado alemão no Rio de Janeiro; uma carta de Olga ao chefe da Gestapo na qual ela protestava por lhe terem tirado sua filha (Anita nasceu na prisão e permaneceu com a mãe por 14 meses, até ser entregue à avó paterna – fato que Olga não teve conhecimento até algum tempo depois); e o relatório da Gestapo que afirmava que Olga era uma comunista perigosa.

Em 2015, Anita já havia publicado uma biografia política de seu pai, intitulada  Luiz Carlos Prestes: um comunista brasileiro. Sua obra também trouxe documentos e fatos também desconhecidos. A autora diz que “é importante que os leitores do livro em questão tenham oportunidade de conhecer alguns documentos originas relacionados com a temática do livro”. Ela considera que a história do período em que sua mãe esteve presa pelos nazistas é um complemento do livro publicado em 2015.

debate olga benario

 

 

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Jornalista lança livro sobre idoso que matou a própria esposa

O último abraço será lançado na livraria Livros e Livros, em Florianópolis, na próxima segunda-feira (13), às 18h. Mais informações no evento do facebook

Em 2014, Nelson Golla, à época com 74 anos, matou sua esposa Neusa, 72, com uma bomba caseira na clínica para idosos onde ela vivia após sofrer dois AVCs e definhar a cada dia – Neusa também não suportava mais viver. A intenção dele era morrer junto da esposa com quem vivera por 54 anos e, no entanto, saiu apenas ferido. O caso foi chamado na Justiça de “Um Romeu e Julieta da terceira idade”.

o ultimo abraço vitor hugo brandalise
Divulgação/Editora Record

Em tempos nos quais se fala muito sobre feminicídio, o mote do livro O último abraço pode parecer muito estranho. Quando o fato aconteceu, o jornalista Vitor Hugo Brandalise também sentiu esse mesmo estranhamento, já que as primeiras notícias (rasas) sobre o caso diziam se tratar de um ato de amor para livrar Neusa de seu sofrimento. Vitor resolveu investigar a fundo a história, que deu origem a uma reportagem publicada na plataforma Brio e no jornal O Estado de São Paulo. Pouco mais de um ano depois, a grande reportagem retorna em formato de livro, com muito mais detalhes, transcrições de cartas e divagações do “personagem” central.

Conversei um pouco com o Vitor para saber mais sobre a produção dessa reportagem, e você pode ler agora 😉

Literatismos O que despertou seu interesse pela história do Seu Nelson e sua esposa no primeiro contato com a notícia? 
Vitor Hugo – Creio que foram as muitas perguntas ainda sem respostas. A notícia dizia que um idoso havia explodido uma bomba em um asilo, numa tentativa de se matar e matar a esposa, mas que conseguira só a metade, ele havia sobrevivido. Como ele prosseguiria, depois de um ato como esse? Que desespero viviam Nelson e Neusa para tomar essa decisão? Eles haviam, de fato, tomado a decisão juntos, numa espécie de pacto? Ele deixou uma carta em que explicava os seus motivos – o que diria nela? Por que escolhera uma bomba? Eles tinham três filhos – será que eles conseguiriam aceitar o que houve como ato de amor? Foi mesmo um ato de amor? A nota dizia ainda que eles eram casados há mais de 50 anos. Escrever sobre os extremos a que o desespero (e mesmo o amor) podem levar uma pessoa mexeu muito comigo, e mergulhei na história do casal.

Em que momento você decidiu que, mais do que uma série de reportagens, ela deveria ser registrada em formato de livro?
VH – Acho que foi logo de cara. Imaginei que além da história de um casal desesperado existiam dilemas comuns a muitas pessoas quando chegam na velhice. E eram questões complexas: a velhice solitária, a vida em um asilo, as dificuldades de encarar a decadência do corpo, o suicídio na terceira idade (média de três idosos por dia, no Brasil), e havia ainda a questão da eutanásia. Para tratar disso tudo em profundidade, a narrativa teria necessariamente de ser longa. Decidi então apurar e escrever, desde o começo, como se fosse para um livro.
contra capa o ultimo abraço
Contracapa, foto do autor

L – Como foi o contato com seu Nelson e a família? Eles se mostraram abertos a contar essa história e a deixá-lo publicar?
VH – Nunca foram fáceis. Havia sempre muita emoção nos encontros, com o seu Nelson, especialmente. Mas creio que eles, inclusive Nelson, perceberam que havia algo de extraordinário na vida do casal, e também algo de universal. Havia uma causa de fundo, uma função social forte na experiência deles. Desde os primeiros contatos, busquei tratar os acontecimentos, mesmo os mais questionáveis, com um olhar de compreensão, tentando evitar julgamentos. Creio que essa postura ajudou a criar uma relação de confiança que perdura ainda hoje.

L – Qual foi o ponto mais delicado de abordar, seja nas entrevistas ou na hora de redigir?
VH – Tentar reconstituir, por meio de depoimentos de Nelson, os últimos dias do casal juntos, especialmente o último dia, inclusive o que se passava na cabeça dele, foi muito desafiador. Havia um repórter pedindo a um homem que reconstituísse em detalhes os dias mais duros da vida dele. Nesses momentos, Nelson se esquivava, mudava de assunto, se emocionava. Era preciso, nesses momentos, alguma delicadeza para perceber até que ponto era possível ir, sem forçá-lo a falar do que não queria.

L- Depois de ter apurado, e analisando toda a história, que aspecto mais lhe chamou a atenção?
VH – Essa pergunta é difícil. Há uma fala de Nelson que me marcou bastante, em uma de nossas primeiras conversas: “Quando passa a viver com alguém, você se transforma completamente, fica enraizado, e já não tem como viver sem ela”. Enraizado, um junto do outro, uma só raiz prendendo duas pessoas a um pedaço de solo. Creio que um aspecto muito importante nesta história é como é difícil acompanhar a decaída, lenta ou rápida, de alguém com quem se conviveu uma vida inteira.

 

SERVIÇO

O que: Lançamento do livro O último abraço, de Vitor Hugo Brandalise
Quando: 13 de março, às 18h
Onde: Livraria Livros e Livros – UFSC , Florianópolis

 

 

 

 

Retrospectiva literária 2016

Oi gente! Eu sei que eu deveria ter feito esse post antes, mas só me bateu a vontade agora, 22 dias depois que 2017 começou, e depois de já ter lido 3 livros! hahaha Mas nunca é tarde, né? Como promessa de ano novo, tentarei postar com mais frequência, vamos ver se consigo… quem sabe um post mensal com o que li…

giphyO meu ano literário de 2016 foi MUITO BOM, ao contrário de 2015 que tinha sido meio fraco! Descobri alguns autores e autoras maravilhosos dos quais eu nunca tinha lido nada e bati meu record com 33 livros! É, comparado a algumas pessoas é um ritmo lento, mas não estou competindo com ninguém, então estou bem feliz com o resultado (e esse ano acho que a média vai diminuir de novo pois vou voltar a estudar, e graduação tem mil coisas pra ler).

Também foi o ano que tirei pra reler a saga Harry Potter (yeeeey), a qual eu praticamente devorei, igualzinho às outras 367 vezes que já tinha lido. Isso ajudou que o ano fosse bem LEIA MULHERES. Dos 33 livros lidos, 18 foram escritos por mulheres. Comecei a ter essa preocupação quando reparei na discrepância da proporção entre autores homens e autoras mulheres na minha estante, que chegou a 20:4. Sugiro que vocês façam esse exercício também…

Não vou colocar TODOS os 33 aqui, mas vou falar dos principais livros e autores:

1 – Grande Sertão: Veredas, do Guimarães Rosa

MEU DEUS! Por que não li esse livro antes?? Ganhei de aniversário há 3 anos e táva com medinho de ler, porque é a obra-prima de um dos meus autores favoritos, e também é um tijolaço de 625 páginas. É maravilhoso, poético, sinestésico. E surpreendente! Se você gosta de autores nacionais com temática do sertão, LEIA! Também tem citações maravilhosas, como isso aqui:

Viver é muito perigoso… querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal, por principiar.”

Toda saudade é uma espécie de velhice.

A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.” – a minha preferida!

2- Tolkien

Não poderia deixar de falar do meu queridinho, ainda mais tendo lido três dele no ano:

  • Smith of Woottoon Major (Ferreiro de Bosque Grande): conta a história de um menino (Smith) que participa de uma celebração que ocorre a cada 24 anos em sua cidade, só para algumas crianças que recebem convite. Nesse banquete sempre há um bolo, e naquela ocasião, o ajudante do cozinheiro esconde um artefato, que será encontrado por uma das crianças, e isso fará com que ela possa visitar o mundo das fadas… é um conto bem gracinha!
  • JRR Tolkien: Artist and Illustrator: maravilhoso para conhecer o lado artístico e perfeccionista do mestre. A partir dele fiquei conhecendo outras obras que compilam desenhos do Tolkien.
  • A queda de Artur: Tolkien também criou a sua versão para a lenda arturiana, embora não a tenha concluído. A história é em formato de poema, o que dificulta um pouco a leitura. O livro traz muitas curiosidades sobre os diversos segmentos da lenda do Rei Artur, qual delas Tolkien resolveu seguir e informações sobre o processo de construção desta versão.
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O preciosismo (ba dum tss) do Tolkien não era apenas com seus textos. Aqui  a gente pode ver o Portão de Moria desde a sua concepção inicial, até o desenho definitivo. 

3 – Saga Avalon, Marion Zimmer Bradley e Diana Paxson

Já falei um pouco da saga no post sobre A Sacerdotisa de Avalon, que fechava o ciclo anterior às Brumas de Avalon. Dessa coleção tem 7 lançados no Brasil e eu li cinco. Os meus preferidos foram Os Ancestrais de Avalon e A Sacerdotisa de Avalon.

4 – A Guerra dos mundos, HG Wells

radio play causes panic hg wells.gifUm clássico que nunca tinha lido. Preceptor das obras pós-apocalípticas, esse livro foi escrito em 1898 e causou alvoroço na década de 30 ao ser transmitido como radionovela, levando a uma histeria coletiva porque o público achava que estava escutando ao vivo uma invasão alienígena. Qualquer coisa que veio depois dessa obra é cópia. É um livro bem fininho e a escrita é simples.

5 – García Márquez

Logo no ano em que comecei a ler em espanhol, resolvi começar por esse autor e li dois dele: Crônica de uma morte anunciada (resenha aqui) e O Amor nos tempos do Cólera.  Com o Crônica, me apaixonei por García Márquez logo de cara, e já tenho outros dele na lista para ler. Adorei ter começado a ler suas obras!

6 – Nana Garces e Fê Friederick Jhones

Não podia deixar de citar essas duas jovens autoras que foram as primeiras parceiras aqui do blog! Pra quem não lembra, a Nana é autora do Ode de Sangue, e a Fê publicou Ímã de Traste. Confesso que não estou acostumada com os gêneros que elas duas escrevem, mas é bom sair da zona de conforto às vezes, né? Estou gostando do desafio e espero que as parcerias continuem! 🙂

7- A primeira luz da manhã, Thrity Umrigar

a-primeira-luz-da-manha-livroComo eu estava numa fase LEIA MULHERES tentando equilibrar a estante (ok, já sei que nesse post tem mais homem) e já tinha ouvido uma amiga comentando sobre esse livro, e uma outra falando sobre a autora, comprei dois dela. Encontrei por 10 reaizinhos cada numa feirinha de livros que teve no shopping.

Esse livro é autobiográfico, e Thrity conta desde sua infância até o momento em que sai de seu país natal, a Índia, para estudar nos EUA. Ela fala de sua adolescência conturbada, as brigas com sua mãe, o amor pela tia que fazia por ela muito mais que a mãe. A escrita dela é muito gostosa de ler. Me identifiquei com várias coisas, principalmente o fato de ela ter estudado jornalismo e saído de sua terra natal para se aventurar num lugar desconhecido longe da família.

8- O Corcunda de Notre Dame, Victor Hugo

Esqueça tudo de feliz e colorido que você viu no filme da Disney. Isso aqui é da época do Romantismo, e só pode acabar em desgraça, tragédia e lágrimas. Ainda não tinha lido Victor Hugo. Uma heresia para uma pessoa leitora de clássicos. É triste, pesado, em alguns momentos dá uma certa náusea por causa das descrições. Essa edição ilustrada da Zahar é maravilhosa. Também ganhei de aniversário, fazia um ano.

Outros livros que li no ano e merecem ser citados foram:

  • Comer, Rezar, Amar, da Elizabeth Gilbert
  • O Nome da Rosa, do Umberto Eco
  • Mago – Aprendiz, do Raymond E. Feist
  • O Grande Gatsby, do Scott Fitzgerald

É isso aí! Como foi o ano literário de vocês? Já conheciam ou leram algum dos que eu citei?

Entrevista: Luciana Bertoldo

Autora do livro Baioneta Calada, Luciana Bertoldo é advogada e natural de Ijuí (RS). Reside na Grande Florianópolis há 21 anos, parte deles na capital e atualmente em Santo Amaro da Imperatriz. Escreve desde a adolescência, mas manteve e mantém muitos de seus textos guardados. Ela diz que não possui uma rotina de escrita e escreve quando as ideias surgem, muitas vezes do nada.

Em seu único livro publicado ela conta a história de seu pai, Genir Bertoldo, operário em Ijuí, que foi preso durante a ditadura militar. Ele era membro de um sindicato local para crescer como pessoa e buscar melhores oportunidades, fazendo os trabalhadores terem conhecimento das injustiças praticadas contra eles, atitudes consideradas subversivas.

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Jéssica Trombini- O que te motivou a escrever sobre a história de seu pai?
Luciana Bertoldo- Essa história nunca havia sido contada, nem mesmo dentro da nossa família. Era uma coisa que trazia lembranças muitos ruins e que já tinha causado muitos danos. Mas quando meus pais me contaram, eu me interessei e tive vontade de colocar para fora. Minha mãe não era muito favorável em conta-la, mas meu pai se interessou em contar os fatos e eu gravei tudo que ele me contou.

JT – Em que momento você decidiu que transformaria a história dele em livro?
LB- Desde o primeiro momento em que eu descobri essa história decidi colocar em livro, mas não sabia como, pois não era profissional dessa área. Procurei editoras e fiz um livro independente. Também foi de uma maneira despretensiosa que o publiquei, queria apenas registrar, pois nem mesmo em Ijuí as pessoas a conheciam. Era uma história esquecida.

Nota: alguns colégios da região de Ijuí incluíram Baioneta Calada entre as obras obrigatórias aos alunos de Ensino Médio, para falar sobre a Ditadura Militar. Luciana já deu palestras sobre o livro nesses locais e em feiras literárias no Rio Grande do Sul.
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Foto: Acervo pessoal da escritora

JT- Por que é importante relatar as situações pelas quais passaram presos políticos durante a ditadura?
LB – Os presos políticos da época tiveram todo o caminho de uma vida afetada. O que aconteceu com meu pai afetou a família toda, muito convívio conosco foi evitado e muitas portas se fecharam. Ser comunista era uma coisa muito negativa. Mas na verdade não era isso, meu pai era operário e lutava por seus diretos, que só depois de muito tempo foram conquistados. A ditadura foi avassaladora e transformou a vida de todos que se envolveram nela e com ela. Ter escrito esse livro ajudou meu pai a se fortalecer e valorizar sua história, ter orgulho dela. Hoje ele diz que não faria nada diferente.

 

JT – Você pretende publicar outras obras?
LB – Sim, já estou com um bom material de crônicas, mas com um rumo totalmente diferente do primeiro livro. Esses textos são mais voltados às questões femininas e relações afetivas.

Nascidos para perder

A intenção do autor Mylton Severiano com esse livro era provar a tese de que o jornal O Estado de São Paulo sempre apoiou candidatos que perderam eleições presidenciais, o que demonstraria que a publicação e seus donos sempre estiveram contra o povo. Sendo um jornal bastante conservador (como grande parte da mídia brasileira), não é de se esperar algo muito diferente.

Além da teoria levantada, esse livro conta muitos outros “podres” de bastidores do Estadão, como duas negociações duvidosas com o governo quando o jornal estava cheio de dívidas.  Uma delas foi em 1942, quando o jornal foi vendido ao governo do estado da SP por um valor muito superior ao que realmente valia, e a outra em 1980, quando o governo vendeu o jornal novamente à família Mesquita. Nessa parte, inclusive, o autor reproduziu na íntegra as duas escrituras públicas, ocupando bem umas dez páginas…

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Em alguns momentos fiquei achando que era um ataque gratuito à família Mesquita, dona do jornal, pois há vocabulário ofensivo e insinuações problemáticas. Alguns causos contados também não têm nada a ver com a tese, como o urubu que entrou na redação,  a biografia de Machado de Assis que perdeu o Prêmio Jabuti por suas inconsistências (do jornalista de Cultura Daniel Piza) e a cobertura de um assalto a banco que o editor já sabia que iria acontecer.

Nascidos para perder tinha tudo para ser um livro interessantíssimo e de uma riqueza de informações muito grande, porém acho que o autor não conseguiu organizar o conteúdo. Eu tenho a impressão de que ficaria muito melhor se ele contasse os fatos em ordem cronológica, mas, assim como no Realidade: a história da revista que virou lenda, ele contou de acordo com seu fluxo de memórias. Em vários momentos ele conta sobre 1940, pula para 1970, e volta para 1940. Isso torna o livro confuso.

20160723_132648É claro que o livro tem seus méritos, reproduções de entrevistas interessantes, a sustentação da tese em detalhes em quase todos os casos, e a parte sobre ter perdido espaço para a Folha de São Paulo.

Detalhe

Eu comecei a ler logo que foi lançado, mas abandonei nos primeiros capítulos porque achei maçante. Ficou lá na prateleira todo esse tempo, até que fiz uma entrevista com o autor para o meu TCC em 2014 e levei meu exemplar para que ele autografasse. Ainda ficou lá mais dois anos, até que resolvi dar outra chance. Mas dessa vez fui até o final.

Nota: 5.

Ficha: Nascidos para perderMylton Severiano
Editora Insular
Ano: 2012
279 páginas