O Guia do mochileiro das Galáxias

Nesse Dia da Toalha (ou Dia do Orgulho Nerd, criado em uma época que ser nerd não era cool) nada mais propício do que falar d’O Guia do Mochileiro das Galáxias. Só tem um problema: a trilogia de cinco do Douglas Adams é uma das minhas maiores decepções literárias. Mas não entre em pânico, já vou explicar.

Arthur Dent é uma pessoa comum que mora num local comum, mas num belo dia tem que impedir a prefeitura de demolir sua casa porque no local irá ser construída uma via expressa. Ao mesmo tempo em que tenta salvar sua casa, descobre que seu melhor amigo, Ford Prefect, é um alienígena, e enquanto isso os vogons tentam destruir a Terra para… adivinha? Construir uma via expressa hiperespacial! Ford pede carona com seu sinalizador subeta e os dois embarcam na nave vogon para incríveis aventuras como já diria um anúncio de sessão da tarde.

Parece legal, né? Sim, e o primeiro volume da série é legal mesmo, bem engraçado e tem umas sacadas geniais. Só que como tem uma continuação, a coisa começou a desandar. O  segundo volume da série é O Restaurante no fim do Universo, e apesar de já não manter o ritmo do primeiro ainda empolga um pouco. A vida, o universo e tudo mais, terceiro título, é bem mais arrastado e em algum momento as piadas e a história que não vai a lugar nenhum começam a cansar. O autor saiu demais da linha central da história e isso me deixou de saco cheio. Pior livro da série, sem dúvida.

colecao guia do mochileiro

No penúltimo volume, Até mais e obrigado pelos peixes, o Douglas Adams resgata alguns elementos anteriores e parece que as coisas vão tomar um rumo… mas no  considerado último, Praticamente Inofensiva, ele abre ainda mais a história e dá uma resolução bem porca pro fechamento da série. Também, escrito meio forçado 13 anos depois do lançamento do primeiro (em 1979)… muita gente nem considera que seja o fim da série, e daí não sei o que é pior: uma série sem final ou um final mal explicado.

Já sei que vão dizer que é porque não entendo o Douglas Adams, ou que eu “li errado” o livro, ou qualquer coisa assim. Não, só não me cativou porque eu criei uma super expectativa. Todo mundo falava que era maravilhoso, mas a minha definição de maravilhoso é bem diferente.

Alguns elementos dessa história pirada se tornaram ícones, como a tal da toalha (um item ESSENCIAL para qualquer mochileiro, que tem as mais variadas e estranhas utilidades), uma bebida chamada dinamite pangalática, o peixe-babel (que você coloca no ouvido e pode entender qualquer língua de qualquer raça no universo), o robô melancólico e depressivo Marvin,  o próprio Guia do Mochileiro das Galáxias, com seu alerta em letras amigáveis na capa NÃO ENTRE EM PÂNICO, e é claro o número 42 que é a resposta para a grande pergunta sobre a vida, o universo e tudo mais.

“O Guia do Mochileiro das Galáxias faz algumas afirmações a respeito das toalhas. Segundo ele, a toalha é um dos objetos mais úteis para um mochileiro interestelar. Em parte devido ao seu valor prático: você pode usar a toalha como agasalho quando atravessar as frias luas de Beta de Jagla; pode deitar-se sobre ela nas reluzentes praias de areia marmórea de Santragino V, respirando os inebriantes vapores marítimos; você pode dormir debaixo dela sob as estrelas que brilham avermelhadas no mundo desértico de Kabrafoon; pode usá-la como vela para descer numa minijangada as águas lentas e pesadas do rio Moth; pode umedecê-la e utilizá-la para lutar em um combate corpo a corpo; enrolá-la em torno da cabeça para proteger-se de emanações tóxicas ou para evitar o olhar da Terrível Besta Voraz de Traal (um animal estonteantemente burro, que acha que, se você não pode vê-lo, ele também não pode ver você – estúpido feito uma anta, mas muito, muito voraz); você pode agitar a toalha em situações de emergência para pedir socorro; e naturalmente pode usá-la para enxugar-se com ela se ainda estiver razoavelmente limpa.”

O Guia do Mochileiro das Galáxias – Douglas Adams

Meu comentário sobre a série aqui é bem breve porque eu li há dois anos, então não lembro detalhes. Só lembro que quis criar esse blog pra falar com sinceridade sobre os livros que eu li, já que muitas resenhas nunca contemplavam o que eu achava sobre uma obra. Obviamente eu acabei deixando de lado a resenha da série hehe

Série O Guia do Mochileiro das Galáxias (5 volumes)
Autor: Douglas Adams
Editora: Arqueiro
Ano: 2004

Anúncios

Retrospectiva literária 2016

Oi gente! Eu sei que eu deveria ter feito esse post antes, mas só me bateu a vontade agora, 22 dias depois que 2017 começou, e depois de já ter lido 3 livros! hahaha Mas nunca é tarde, né? Como promessa de ano novo, tentarei postar com mais frequência, vamos ver se consigo… quem sabe um post mensal com o que li…

giphyO meu ano literário de 2016 foi MUITO BOM, ao contrário de 2015 que tinha sido meio fraco! Descobri alguns autores e autoras maravilhosos dos quais eu nunca tinha lido nada e bati meu record com 33 livros! É, comparado a algumas pessoas é um ritmo lento, mas não estou competindo com ninguém, então estou bem feliz com o resultado (e esse ano acho que a média vai diminuir de novo pois vou voltar a estudar, e graduação tem mil coisas pra ler).

Também foi o ano que tirei pra reler a saga Harry Potter (yeeeey), a qual eu praticamente devorei, igualzinho às outras 367 vezes que já tinha lido. Isso ajudou que o ano fosse bem LEIA MULHERES. Dos 33 livros lidos, 18 foram escritos por mulheres. Comecei a ter essa preocupação quando reparei na discrepância da proporção entre autores homens e autoras mulheres na minha estante, que chegou a 20:4. Sugiro que vocês façam esse exercício também…

Não vou colocar TODOS os 33 aqui, mas vou falar dos principais livros e autores:

1 – Grande Sertão: Veredas, do Guimarães Rosa

MEU DEUS! Por que não li esse livro antes?? Ganhei de aniversário há 3 anos e táva com medinho de ler, porque é a obra-prima de um dos meus autores favoritos, e também é um tijolaço de 625 páginas. É maravilhoso, poético, sinestésico. E surpreendente! Se você gosta de autores nacionais com temática do sertão, LEIA! Também tem citações maravilhosas, como isso aqui:

Viver é muito perigoso… querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal, por principiar.”

Toda saudade é uma espécie de velhice.

A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.” – a minha preferida!

2- Tolkien

Não poderia deixar de falar do meu queridinho, ainda mais tendo lido três dele no ano:

  • Smith of Woottoon Major (Ferreiro de Bosque Grande): conta a história de um menino (Smith) que participa de uma celebração que ocorre a cada 24 anos em sua cidade, só para algumas crianças que recebem convite. Nesse banquete sempre há um bolo, e naquela ocasião, o ajudante do cozinheiro esconde um artefato, que será encontrado por uma das crianças, e isso fará com que ela possa visitar o mundo das fadas… é um conto bem gracinha!
  • JRR Tolkien: Artist and Illustrator: maravilhoso para conhecer o lado artístico e perfeccionista do mestre. A partir dele fiquei conhecendo outras obras que compilam desenhos do Tolkien.
  • A queda de Artur: Tolkien também criou a sua versão para a lenda arturiana, embora não a tenha concluído. A história é em formato de poema, o que dificulta um pouco a leitura. O livro traz muitas curiosidades sobre os diversos segmentos da lenda do Rei Artur, qual delas Tolkien resolveu seguir e informações sobre o processo de construção desta versão.
tolkien-artist-and-illustrator
O preciosismo (ba dum tss) do Tolkien não era apenas com seus textos. Aqui  a gente pode ver o Portão de Moria desde a sua concepção inicial, até o desenho definitivo. 

3 – Saga Avalon, Marion Zimmer Bradley e Diana Paxson

Já falei um pouco da saga no post sobre A Sacerdotisa de Avalon, que fechava o ciclo anterior às Brumas de Avalon. Dessa coleção tem 7 lançados no Brasil e eu li cinco. Os meus preferidos foram Os Ancestrais de Avalon e A Sacerdotisa de Avalon.

4 – A Guerra dos mundos, HG Wells

radio play causes panic hg wells.gifUm clássico que nunca tinha lido. Preceptor das obras pós-apocalípticas, esse livro foi escrito em 1898 e causou alvoroço na década de 30 ao ser transmitido como radionovela, levando a uma histeria coletiva porque o público achava que estava escutando ao vivo uma invasão alienígena. Qualquer coisa que veio depois dessa obra é cópia. É um livro bem fininho e a escrita é simples.

5 – García Márquez

Logo no ano em que comecei a ler em espanhol, resolvi começar por esse autor e li dois dele: Crônica de uma morte anunciada (resenha aqui) e O Amor nos tempos do Cólera.  Com o Crônica, me apaixonei por García Márquez logo de cara, e já tenho outros dele na lista para ler. Adorei ter começado a ler suas obras!

6 – Nana Garces e Fê Friederick Jhones

Não podia deixar de citar essas duas jovens autoras que foram as primeiras parceiras aqui do blog! Pra quem não lembra, a Nana é autora do Ode de Sangue, e a Fê publicou Ímã de Traste. Confesso que não estou acostumada com os gêneros que elas duas escrevem, mas é bom sair da zona de conforto às vezes, né? Estou gostando do desafio e espero que as parcerias continuem! 🙂

7- A primeira luz da manhã, Thrity Umrigar

a-primeira-luz-da-manha-livroComo eu estava numa fase LEIA MULHERES tentando equilibrar a estante (ok, já sei que nesse post tem mais homem) e já tinha ouvido uma amiga comentando sobre esse livro, e uma outra falando sobre a autora, comprei dois dela. Encontrei por 10 reaizinhos cada numa feirinha de livros que teve no shopping.

Esse livro é autobiográfico, e Thrity conta desde sua infância até o momento em que sai de seu país natal, a Índia, para estudar nos EUA. Ela fala de sua adolescência conturbada, as brigas com sua mãe, o amor pela tia que fazia por ela muito mais que a mãe. A escrita dela é muito gostosa de ler. Me identifiquei com várias coisas, principalmente o fato de ela ter estudado jornalismo e saído de sua terra natal para se aventurar num lugar desconhecido longe da família.

8- O Corcunda de Notre Dame, Victor Hugo

Esqueça tudo de feliz e colorido que você viu no filme da Disney. Isso aqui é da época do Romantismo, e só pode acabar em desgraça, tragédia e lágrimas. Ainda não tinha lido Victor Hugo. Uma heresia para uma pessoa leitora de clássicos. É triste, pesado, em alguns momentos dá uma certa náusea por causa das descrições. Essa edição ilustrada da Zahar é maravilhosa. Também ganhei de aniversário, fazia um ano.

Outros livros que li no ano e merecem ser citados foram:

  • Comer, Rezar, Amar, da Elizabeth Gilbert
  • O Nome da Rosa, do Umberto Eco
  • Mago – Aprendiz, do Raymond E. Feist
  • O Grande Gatsby, do Scott Fitzgerald

É isso aí! Como foi o ano literário de vocês? Já conheciam ou leram algum dos que eu citei?

A Sacerdotisa de Avalon

“Todos os deuses são um Deus, e todas as deusas são uma Deusa”. A frase dita por gerações de sacerdotisas de Avalon ao longo da saga se mostra totalmente plausível em A Sacerdotisa de Avalon, que parece um “spin-off” da saga.

A Sacerdotisa de Avalon conta a história de Santa Helena: grande parte dos fatos do livro realmente aconteceu, e a maioria dos personagens é histórica. Eilan (nome bretão de Helena) era filha de uma sacerdotisa e acaba sendo expulsa de Avalon por sua tia. Ela vai embora com Constancius, e eles têm Constantino – aquele que viria a ser imperador de Roma.

livros-saga-avalon
Todos os livros anteriores às Brumas de Avalon encontrei em sebos, pois são antigos e não foram reeditados.

Eilan é devota da deusa Elen dos Caminhos, que tem a mesma representação na Germânia com Nehelennia, a mesma em Roma com outro nome, a mesma no Egito com outro nome. Marion Zimmer Bradley, em toda sua obra, questiona as brigas religiosas, mas senti que nesse livro o questionamento é mais forte. O ponto crucial é que os povos vivam em harmonia, independentemente de suas crenças, e é nisso que Eilan (ou Helena) acredita.

O livro é narrado em primeira pessoa, o único assim de toda a série. Outra diferença legal é que a historia inteira é focada em um personagem, não em diferentes núcleos como nos outros livros. Achei ótimo ter essa variação.

Em toda a saga sempre aparecem personagens que tentam pregar a convivência pacífica com outros povos, mas prevalece a vontade da maioria em tentar dominar a cultura alheia e acabar com ela. A crítica maior é ao império romano, que tentou dizimar as culturas dos povos dominados. Chega a ser irônico que a mãe do imperador, sendo pagã, sacerdotisa de Avalon, seja considerada santa da igreja católica logo após sua morte.

A História diz que ela se converteu muito antes, e é considerada mãe do Cristianismo, por ter influenciado Constantino a permitir o culto a Cristo no Império Romano e ter financiado a construção de importantes igrejas.

Acho que pelo fato de se passar fora de Avalon é que esse livro me chamou mais a atenção. O que aconteceria com uma sacerdotisa solta no mundo? Bom, por onde Helena passou fez a diferença e levou a mensagem de esperança e amor para diversas pessoas, pois ela ajudou a curar doentes e a cuidar de pessoas necessitadas. Isso prova que a bondade não tem religião: ela é universal.

Antes das Brumas

Além dos quatro famosos volumes de As Brumas de Avalon, que são o fim da saga da ilha sagrada, existem outros oito volumes anteriores. Isso mesmo, OITO! E A Sacerdotisa de Avalon é o 8º. Tudo começa em Atlântida (cujos dois primeiros volumes eu pulei), e no terceiro livro, chamado Os Ancestrais de Avalon, alguns sobreviventes do afundamento da lendária Atlântida chegam ao local onde seria instalado o Tor sagrado.

A Espada de Avalon, 4º volume da série, não foi publicado no Brasil, só em Portugal (e até rolou uma petição para que a obra fosse lançada por aqui). Então fui para Os Corvos de Avalon (5º), A Casa da Floresta (6º) e A Senhora de Avalon (7º). O título a que me refiro neste post acontece na maior parte fora de Avalon, e quase sem contato com o que acontecia naquela ilha. A história se passa paralelamente à segunda geração tratada em A Senhora de Avalon, quase 200 anos antes da história de Viviane, Igraine, Morgana e Artur.

O 3º, 4º e 5º volumes foram organizados por Diana Paxson, seguidora da Marion Zimmer Bradley, a partir de manuscritos deixados pela autora.

 

Nota: 9,5

Ficha: A Sacerdotisa de Avalon – Marion Zimmer Bradley
Editora Rocco
Ano: 2002
438 páginas

 

Crônica de uma morte anunciada

Bayardo San Román é um homem rico que procura uma mulher para se casar. Um belo dia ele chega a uma cidadezinha e escolhe Ángela Vicario, uma moça por muitos considerada sem graça e de família modesta. Os dois se casam, mas na noite de núpcias Bayardo descobre que Ángela não era mais virgem, e por isso a devolve para sua família.

Devido à desonra, os irmãos da noiva decidem matar quem, segundo ela, lhe tinha tirado a virgindade, e o anunciam para a cidade inteira: vamos matar Santiago Nasar. Não é spoiler, está no título! 

20160709_164741Santiago é o único que desconhece o que a cidade inteira já sabia. Algumas pessoas não levaram a ameaça dos irmãos Vicário a sério, dizendo que era conversa de bêbados. Outros acreditaram e temeram pela vida de Santiago, mas nada fizeram para alertá-lo. Uns poucos que tentaram não conseguiram.

O melhor do livro é a narração dos fatos, porque você fica na expectativa de que alguém vá avisar Santiago e/ou tentar impedir a tragédia, mesmo sabendo que o final já está dado!

A história toda se passa num intervalo de algumas horas: entre o fim da festa de casamento, a noite de núpcias mal acabada e o assassinato na manhã seguinte.

Como consegui: Este foi o primeiro livro que li em espanhol e também meu primeiro do Gabriel García Márquez (Gabo). Já estava na minha lista há algum tempo, quando apareceu um trecho no meu material das aulas de espanhol. Resolvi que: 1 – era hora de começar a ler os latino-americanos, 2 – era o momento de ler um livro em espanhol, para aprofundar meu contato com o idioma.

Foi mais fácil do que imaginei. Uma amiga viciadíssima em García Márquez disse que foi uma boa escolha para começar a ler os livros dele, que é um dos mais simples. Já quero ler outros! 🙂

Uma pena que livros importados sejam tão caros, mesmo sendo edição de bolso – foi o livro mais caro que comprei em tempos!

Nota: 10, com certeza!

Ficha: Crónica de una muerte anunciada – Gabriel García Márquez
Editora Contemporánea – Debolsillo
Ano: 2014
137 páginas

 

Comer, Rezar, Amar

Esse livro era para ser um diário de viagem, como tantos outros que existem por aí. Encomendado e comprado antecipadamente pela editora, o livro ia basicamente falar da viagem da jornalista e escritora Elizabeth Gilbert pela Itália, índia e Indonésia (mais especificamente Bali). No entanto, a história real acaba sendo um livro de auto-ajuda. Eu normalmente não leio esses livros, mas acho interessante quando as lições são passadas por meio de histórias (Augusto Cury o diga!), e ainda melhor quando essas superações são reais.

Liz começa o livro com um casamento em crise. Ela estava com 30 anos, seu marido queria filhos, ela não. A incompatibilidade virou um inferno e ela pediu o divórcio. A situação piorou e o cara tirou TUDO dela. Liz deixou suas coisas na casa da irmã, a editora comprou o livro, e ela pôde fazer sua viagem. Nesse meio-tempo, ela achava que podia curar um amor mal-resolvido com outro amor, e entrou num relacionamento conturbado:

“Eu me agarrei a David para fugir do meu casamento como se ele fosse o último helicóptero saindo de Saigon. Depositei nele toda minha esperança de salvação e de felicidade. E sim, eu o amei. Mas, se eu conseguisse pensar numa palavra mais forte do que “desesperadamente” para descrever o modo como amei David, usaria essa palavra aqui, e um amor desesperado é sempre o tipo mais difícil de amor” – atire a primeira pedra quem nunca caiu numa cilada dessa.

Elizabeth é gente como a gente. Na Itália ela ainda lutava contra sua depressão, e demorou um tempão para que ela desapegasse de todos os problemas que havia deixado para trás, ou que ela deveria ter deixado.

20160527_152242Enquanto estava lendo, algumas pessoas disseram “a parte da Índia é chata”. Só para ser do contra, foi a parte que li mais rápido, e acho que é a  mais importante do livro. A autora estava tentando buscar seu equilíbrio físico, mental, emocional, psicológico e espiritual. É claro que a pessoa não precisa viajar pelo mundo para encontrar as respostas que ela buscava, como a receita para ser feliz sozinha, entre outras. Cada um tem seu tempo e sua fórmula. A de Liz foi se afastar de tudo e se trancar em um ashram (uma espécie de mosteiro) na Índia. Acredito que nesse campo tudo seja válido, ou quase tudo, desde que não prejudique ninguém.

Por fim, ela vai a Bali. Liz escolheu esse lugar porque já havia estado lá fazendo uma matéria para uma revista, e um xamã leu sua mão e disse que ela voltaria lá. Para não descumprir, ela retornou. O intuito da viagem era tirar o famoso ano sabático para colocar as ideias no lugar. Além disso, ela se propõe a não se envolver com ninguém nesse período, tanto que se questiona diversas vezes se já está preparada para ficar com alguém novamente – inclusive quando aparece alguém que quer isso.

O livro não tem um final porque a vida dela não teve um final. Ela escreveu o livro “Comprometida” como continuação, que além de falar dos problemas diplomáticos que enfrentaram para se casar, fala sobre o casamento em diversas culturas.

Comer, Rezar, Amar traz alguns ensinamentos, que podem soar clichês, mas que quem já esteve lá sabe que são verdade. Eis dois exemplos:

“O fato de eu ser capaz de escrever calmamente sobre isso hoje é uma grande prova dos poderes de cura do tempo”

“A gente precisa ter o coração partido algumas vezes. Isso é um bom sinal. Quer dizer que a gente tentou alguma coisa”

Como consegui: herdei de uma amiga que estava se desfazendo dele, em 2015. O curioso é que depois que li e dei minha opinião sobre o livro, e lembrei a ela de algumas passagens, ela (que tinha lido em 2009) o pegou emprestado de novo rsrs

Nota: 8

Ficha: Comer, Rezar, Amar – Elizabeth Gilbert
Editora Objetiva
Ano: 2008
342 páginas