Autores independentes na FLIP

Seu Paulo Cavalcante saiu lá de Campina Grande, na Paraíba, para expor na Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP. Ele participa do evento há 13 anos, mas nunca foi como convidado. Ele sabe que a FLIP é uma vitrine, e que o público das estrelas convidadas é o mesmo que o seu: leitores. “Quem se propõe a estar na literatura, tem que estar na FLIP. Por isso que tem centenas de nós na pipoca”, comenta rindo.

paulo cavalcante

Seu Paulo estava todos os dias da Feira debaixo de sol, vestindo acessórios que remetem ao sertão nordestino, tema de seus três livros publicados. Martírio dos viventes foi seu primeiro livro e já está na sexta edição, todas pela Editora da UFPB (Universidade Federal da Paraíba). Sujeito simples, não tirou o sorriso do rosto nem um minuto durante nossa conversa, mesmo passando cinco dias inteiros em pé sobre dois tocos de madeira que o faziam sobressair à multidão. Pelo jeito a persistência valeu a pena, conseguiu vender todos os 150 exemplares que levou a Paraty de Um Andarilho em Busca de Cultura (de 2016, o mais recente). Seu outro título é Como se fosse um paraíso, de 2012.

O romance realista Martírio dos Viventes fala sobre a seca de 1992 na região de Garanhuns, cidade natal de Paulo, e conta a resistência e a exclusão social de uma família que tem 12 filhos. O texto é acompanhado de ilustrações feitas pelo próprio autor. É praticamente um livro paradidático, que podemos comparar com Vidas Secas, do genial Graciliano Ramos. Restavam uns 30 exemplares com o autor ao final da feira.

Mulheres em Cena

lara braga - mulheres em cenaAs irmãs Nara Tosta e Lara Braga (foto) vieram da capital do Rio de Janeiro para expor seu projeto Mulheres em cena. Nara escreve contos, Lara é poeta, e ambas falam de questões da mulher.

Lara conta que elas decidiram escrever quando chegaram à famosa crise de meia idade. “A gente já tinha feito várias coisas na vida e não se encontrava. Eu tive um filho que teve câncer, e nesse processo a gente ficou muito recolhido. Depois dessas viagens internas, aos poucos eu minha irmã fomos descobrindo o que temos como essência para colocar pra fora”, conta a autora.

Elas escrevem há mais ou menos cinco anos e têm prontos diversos textos. A ideia de Nara é publicar cinco livros, com dois contos em cada. Detalhe: todos os títulos são nomes femininos e contam as histórias das protagonistas que dão nome aos textos. Lara deve publicar mais quatro livros de poesia, fechando a coleção, com dez volumes. Os dois primeiros livros do projeto Mulheres em cena haviam acabado de sair do forno e já ganhavam as ruas de Paraty nas cestinhas das bicicletas que Lara e a filha de Nara levavam.

 

Catarinense marca presença

Como não poderia deixar de ser, Santa Catarina também teve uma representante entre os escritores independentes. A advogada Luciana Bertoldo, autora do livro Baioneta Calada, esteve na FLIP divulgando seu livro. Ela conta que visitou escolas da região, num “trabalho de formiguinha” para falar da obra que tem sido utilizada por colégios do Rio Grande do Sul para apoiar os estudos sobre o período da Ditadura Militar. luciana bertoldo flip 2

No livro, Luciana conta a história de seu pai, que foi preso durante o período da Ditadura, e fala sobre como isso afetou toda a família. O simples fato de ser operário e lutar por direitos trouxe a ele o estigma de “preso político” e “comunista”. O convívio com a sociedade foi bastante afetado, não apenas de seu pai, mas de todos, que sofreram perseguições por anos a fio, além da exclusão.

Escritores independentes têm essa proximidade carinhosa com o público. Algumas das estrelas da FLIP e de outras feiras também têm, outras não têm. Manter a humildade e o carisma com os leitores, atender bem o público, pelo menos pra mim, são fatores importantes. 😉

Heralda Victor lança romance biográfico

A escritora Heralda Victor, natural de Araranguá, lança no dia 12 de julho o livro O barbeiro do Salão Alvorada, romance biográfico sobre o barbeiro Seu Paulo. O lançamento será nas Livrarias Catarinense, no Beiramar Shopping, em Florianópolis, a partir das 19h.

heralda victor 2017

O Barbeiro do Salão Alvorada – História de uma vida sem férias conta a trajetória de um modesto barbeiro de uma cidade do interior, que de barba em barba edificou sua história de vida e a de tantos outros.  Seu Paulo é o elegante e cordial barbeiro do Salão Alvorada, que ao redor de sua cadeira de barbeiro viu passar todos os sábados ensolarados de sua vida, até que uma doença interrompeu as suas atividades profissionais.

Heralda Victor reside em Florianópolis desde 1999 e já publicou quatro obras, todas em verso. Este é o primeiro romance que publica, e já há outros três livros em produção: uma biografia, um livro de crônicas e contos, e um dedicado ao público infantil. Neste ano ela foi escolhida entre as melhores contistas infantis no Prêmio Literarte – o prêmio será entregue no dia 15 de julho.

Maura Soares lança seu 10º livro

No dia 7 de julho, a escritora Maura Soares lança seu 10º livro, 7 Dias de Julho, na Biblioteca Pública Municipal Prof. Francisco Barreiros Filho, no bairro Estreito, em Florianópolis, às 19h. O livro é composto por poemas, um conto e uma crônica, e será lançado com a editora Papa-Livro, com a qual já publicou A Biblioteca e seus patronos (1998).

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O projeto foi idealizado em 2004 e é dividido como os sete dias da Criação do Mundo. A autora diz que o significado de “sete dias” é muito grande para ela, e remete à conquista de seu próprio lar, depois de várias tentativas. Ela recorda com emoção: “no sétimo dia de julho de 2001, lua cheia, sábado, eu e meu filho dormimos pela primeira vez no nosso apartamento”, onde residem até hoje.

Entre verso e prosa, a escritora delineia os dias como se fossem os dias narrados na Bíblia no início do muno. Maura revela seus sentimentos de família, do quão foi importante conseguir seu espaço e o de seu filho João Guilherme, jovem que ansiava também ter seu próprio refúgio.

Maura já publicou oito obras pelo Clube de Autores, incluindo O teatro de Maura, que traz duas peças infantis e um sketch baseado em um conto. Maura Soares é manezinha, professora e escritora. Foi uma das fundadoras do Grupo de Poetas Livres e participou do Grupo Armação.

Serviço
O que: Lançamento do livro 7 dias de julho
Quando:
7 de julho, 19h
Onde:
Estreito – Florianópolis
Quanto: Gratuito

 

 

10ª Feira Catarinense do Livro

Até o próximo sábado, 13 de maio, acontece no Largo da Alfândega, em Florianópolis, a 10ª Feira Catarinense do Livro. Mais de 40 escritores locais vão passar pelo evento, para divulgar suas obras, conversar com os leitores e fazer sessões de autógrafos. Entre os convidados estão Katia Rebello, Ana Esther Balbão Pithan, Inês Carmelita Lohn e Luciana Bertoldo.

Além dos escritores e clássicos estandes para aquisição de livros (alguns  com títulos a DEZ REAIS!), há também apresentações culturais e contação de histórias. Você pode conferir a programação no site da Câmara Catarinense do Livro, que organiza o evento.

Na sexta-feira, 5 de maio, estive na Feira prestigiando a escritora Katia Rebello, que estava autografando seu 10º livro publicado, Até que a Morte os Separe, e o autor Nelito Raimundo, que estava expondo seu livro O único, sem as letras A, B, C e D.

O que vem por aí

Capa Controlados Vol. I.pngNo dia 11, a partir das 13h, o jovem autor Peterson Silva irá expor os dois primeiros volumes da série Controlados: A união dos castelos ocultos e A Guerra da União. Um prato cheio para quem adora fantasia! A história se passa em Heelum, um lugar onde os magos podem entrar na mente das pessoas, influenciar seus sentimentos e controlar seus pensamentos. Algumas raças acham que para haver paz e justiça a magia deve ser erradicada, e outros acham melhor educar a todos sobre as forças ocultas do reino, para que possam viver melhor. Um terceiro livro está em andamento.

Se quiser conhecer um pouco mais sobre a série, acesse o site oficial. O vá bater um papo com o escritor e prestigiar um pouco a literatura de Santa Catarina 😉

 

Academia de Letras de Balneário Camboriú lança concurso de trovas

A Academia de Letras de Balneário Camboriú (ALBC), de Santa Catarina, recebe até o dia 31 de julho as inscrições para o I Concurso de Trovas. Cada participante poderá enviar duas trovas inéditas com o tema Universo. Serão escolhidos cinco vencedores na categoria Veteranos e outros três na categoria Novos Trovadores, além de cinco menções honrosas e cinco menções especiais.

Para concorrer à categoria Novos Trovadores, writing gif.gifo candidato não pode ter obtido três premiações em outros concursos de trovas. A determinação é da União Brasileira de Trovadores (UBT), que apoia o concurso. “Qualquer um pode participar dos nossos concursos, embora seja difícil ter sua trova classificada. Mas é possível: tem que ser inédita e de sua própria autoria, tudo de acordo com as normas da UBT”, explica Ari Santos de Campos, presidente da Academia de Letras de Balneário Camboriú.

O concurso homenageia a poeta lageana Mara Terezinha de Souza (assinava como Marah Guedes), que participou da fundação da ALBC e ocupou a cadeira de número 4. Mara foi eleita presidente da Academia por duas vezes consecutivas e implantou atividades culturais como varais literários, poesias na praia, sessões de panegíricos (discursos e elogios a alguém) e sessões da saudade. Seu último trabalho foi o livro Anonimato, publicado em 2012, ano em que faleceu. Trovas enviadas com homenagens a Mara Souza serão consideradas “hors-concours

Como enviar a trova?

regulamento concurso de trovas bc 2017
Clique para abrir o documento.

Os trabalhos podem ser enviados pelo correio ou por e-mail. Também por determinação da UBT existe um padrão no preenchimento dos envelopes e dos e-mails, que não devem ter arquivos anexados: o poema deve ser escrito no corpo do e-mail, com fonte Arial 12, sem espaços e identificada com o nome, endereço completo, telefone e e-mail do participante.

Para enviar pelo correio, o poeta deve seguir os seguintes passos:

1 – Datilografar ou digitar o tema e a trova na face externa de um envelope de cor branca, com medidas de aproximadamente 8 x 11 cm.

2 – Colocar dentro desse envelopinho um papel com a identificação do autor: endereço completo, contatos e assinatura. Lacrar o pequeno envelope, para manter o sigilo exigido nos concursos.

3 – Colocar o envelopinho dentro de outro maior e remeter para o endereço do concurso. Como remetente, colocar sempre “Luiz Otávio” (ou outro nome que o regulamento estipular) e repetir o endereço do destinatário.

As duas trovas podem ser enviadas dentro de uma mesma correspondência, não sendo necessário enviar duas vezes.

academia de letras de BC

Mas o que é uma trova?

Trova ou quadrinha é um poema com quatro estrofes de sete sílabas cada (redondilha maior). É obrigatório o uso de rimas, seja de maneira simples (ABCB), alternada (ABAB), oposta ou interpolada (ABBA), ou, ainda, emparelhada (AABB). Deixo aqui exemplo do querido Mário Quintana:

Trova

Coração que bate-bate
Antes deixes de bater!
Só num relógio é que as horas
Vão batendo sem sofrer.

Mário Quintana