Planalto Serrano vira cenário em lançamento de escritor catarinense

Inspirado por uma cena que presenciou na sua infância em Rio Negrinho, o autor Airton Marchi (A. J. Marchi) lança seu primeiro livro, Páginas que não li. A obra é um drama caracterizado pela miséria em todos os sentidos, principalmente a cultural, como sugere o título. O livro foi lançado pela Editora Tripous e ganhou ilustrações da artista Fernanda Hinning.

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A história se passa na cidade fictícia de Rio da Serra, localizada no Planalto Serrano de Santa Catarina entre as décadas de 50 e 60, e narra em primeira pessoa a história de Pedro Kobis. Aos 14 anos, o protagonista atirou e matou um assaltante, ferindo outro. Devido a isso, foi trabalhar em uma madeireira na cidade onde conheceu sua esposa Maria, e com quem teve uma filha, Clara. Maria perdeu completamente a visão por conta de uma rara patologia. Pedro acidentou-se na madeireira, e, em meio a várias sequelas, perdeu uma das pernas.

O ambiente é povoado por gente pouco escolarizada e que enfrenta todo tipo de privação. O contexto político da época também é levado em conta: “a cronologia utilizada no prologo, remete o leitor de pouca idade a refletir sobre acontecimentos que possam situá-lo no tempo. Há 50 anos, enquanto o homem se preparava para viajar a lua, existiam bugres nas matas catarinenses e um ambiente social extremamente pobre”, diz Marchi.

Páginas que não li é o primeiro título do autor, que já tem outros projetos em andamento, como o romance policial A Garota Síria, ambientado na Itália. Outro projeto se chama Colina das Amoras, que se passa na Inglaterra e trata de um intrincado relacionamento entre três mulheres com um grave segredo em comum.

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Leitor ávido desde muito cedo, seu Airton  devorava gibis, revistas seriadas, livros de aventuras náuticas, revistas que não existem mais (cruzeiro e manchete), jornais, e até a Bíblia com cunho histórico. Desde a adolescência já tinha facilidade em escrever: “Certa vez, um professor de Português inquiriu-nos, a mim e meus colegas, a redigir uma redação sobre o tema “ecologia”. Devido a facilidade com que escrevi, o professor ao retornar à sala, deu-me nota zero, não sem antes, rabiscar minha redação com uma palavra grosseira entre parênteses, cópia“.

Daí para frente, ele conta, não é difícil imaginar o que acontece a um menino de 13 anos que se rebela contra um educador, em um colégio linha dura de conotação religiosa. Foi só depois de aposentado que retomou sua paixão pela escrita, a que os leitores certamente agradecem.

A editora nos enviou um exemplar do livro para sorteio! Fique ligado na nossa página do Facebook 😀

Fotos: divulgação/Tripous Editora

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Entrevista: Gustavo Lopes, autor de O Inominável

Gustavo Lopes tem 28 anos e é autor do livro digital O Inominável, lançado neste ano e que tem conquistado leitores nas plataformas Wattpad (onde já teve mil leituras)  e Luvbook (com 500 visualizações). Fã de Stephen King, J.K Rowling, André Vianco, Rô Mierling e Lovecraft, sempre gostou de inventar histórias, mas foi com o rascunho de seu primeiro livro, entre 2006 e 2007, que a escrita foi se tornando cada vez uma atividade mais atraente a ele, até fazer parte de sua rotina. Gustavo é natural de Suzano (SP) e reside no ABC paulista minha terra, diga-se de passagem.

o-inominc3a1vel-por-gustavo-lopesO Inominável conta a história de quatro amigos, estudantes do ensino médio, que encontram um livro, jamais visto até então na biblioteca de sua escola, e resolvem provar a veracidade de seu conteúdo, instruções para um ritual aparentemente inofensivo e extremamente tentador. Motivados por um histórico de bullying e a promessa de um fim definitivo para os seus problemas, Andreia, Augusto “Bolinha”, Davi e Thalita partem em uma jornada sem retorno, rumo à escuridão inominável que habita em seus corações. A história é narrada na primeira pessoa, sob o ponto de vista de Thalita.

 

Literatismos A Thalita é uma menina, adolescente. Quais os desafios de entrar na mente de uma pessoa de outro gênero e de uma idade diferente da sua para construir o personagem e contar em primeira pessoa?
Gustavo Lopes – O principal desafio em estar na pele de um personagem e contar sua história em primeira pessoa é se desligar da sua própria personalidade, linha de raciocínio, jeito de falar e escrever, para dar lugar a outra pessoa. Para que isso funcione, o personagem precisa ser bem construído antes da primeira linha de narrativa, ou provavelmente as incoerências vão aparecer, seja nos diálogos ou na forma de narrar. O desafio na construção da Thalita foi além de composição da personagem e do processo de separação da minha personalidade com a dela na hora de escrever. Tive que voltar mais de 10 anos para relembrar minha época de colégio e ao mesmo tempo encaixar aquela época no contexto atual.Por sorte o mundo mudou em 10 anos, mas as pessoas não. Recebi muitas respostas de pessoas que se identificaram com a Thalita e isso foi muito positivo para mim, praticamente uma tacada de sorte.

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Literatismos – Como foi o processo de elaborar o texto, desde a ideia até começar a botar tudo no papel (ou na tela)? 
Gustavo – O meu processo de desenvolvimento acaba sendo uma eterna luta entre ordem e caos, e no caso d’O Inominável não foi diferente. Eu planejo o começo e o fim da história, alguns pontos principais, uma linha do tempo, os personagens, elementos do meu universo pessoal, e quando sento para escrever e a história passa a ser “real”, as coisas saem dos trilhos, pois nem sempre o que planejei acontece. Pode parecer insano, mas quando uma história se concretiza na minha mente, ela se torna uma verdade para mim, como se fosse uma sequência de memórias, e eu apenas registro o que está acontecendo ou aconteceu. É um negócio muito louco, principalmente quando decido me colocar na pele de um personagem para narrar, como no caso d’O Inominável. Algumas memórias permaneceram vívidas em minha mente. Enquanto escrevia, eu vi e senti o que a Thalita viu e sentiu. Isso ajuda bastante no processo de elaboração do texto, mas dependendo do teor da história, é bastante desgastante, e algumas memórias são de tirar o sono (risos)…

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Literatismos – Você diz ter outros projetos inacabados. Qual a diferença entre O Inominável e outras ideias que você já iniciou e não concluiu? Pretende voltar a elas em algum momento?
Gustavo – Diferente dos outros livros que já escrevi, O Inominável nasceu com o intuito de ser uma novela e não um romance. Além disso, não houve um período para o texto “descansar” entre a primeira versão, que eu costumo chamar de rascunho, e a versão final, e as revisões foram feitas na sequência até o texto estar pronto, processo que geralmente faço quando escrevo contos. Apesar de todos os meus projetos orbitarem ao redor de um mesmo universo, cada um foi gerado a partir de uma premissa diferente. No caso d’O Inominável, essa premissa foi o bullying. Também há muitas diferenças no processo de escrita, mas é difícil falar sobre este ponto sem dar “spoilers”. Entre os projetos inacabados tenho desde romances que estão em revisão até ideias que ainda estão no argumento. Não apenas pretendo voltar a estes projetos, mas tenho intenção de finalizar todos eles.

Gustavo Lopes também escreve contos nos portais Noite do Bardo  e Maldohorror , e já participou de seis antologias, entre elas Mundo Invertido (Editora Wish), Insanidade (Editora Skull) e Sete Pecados Capitais – volume II  (Editora Illuminare).

 

Anita Prestes lança livro sobre Olga Benario

No dia 19 de setembro, a historiadora Anita Leocádia Prestes, filha de Luis Carlos Prestes e Olga Benario, vem a Florianópolis lançar sua mais nova publicação, Olga Benario Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo. O debate de lançamento da obra acontece no auditório do EFI (Espaço Físico Integrado) da Universidade Federal de Santa Catarina, às 19h. O evento é gratuito.

No livro, a autora relata o que Olga Benario viveu de 1936 até sua morte, em 1942, a partir dos arquivos da polícia alemã. Anita destaca que não se trata de uma biografia de sua mãe: “trata-se de um relato objetivo sobre sua deportação para a Alemanha e sua vida na prisão e nos campos de concentração nazistas, apoiado nos documentos encontrados no arquivo da Gestapo”.

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Crédito: Ed. Boitempo

O “Processo Benario”, volume referente a Olga Benario, totaliza oito dossiês e mais de 2 mil documentos, entre cartas, fotografias e telegramas. A abertura dos documentos da Gestapo para consulta pública foi permitida a partir de 2015, e parte deles está disponível online. A digitalização completa dos chamados Trophäendokument deve terminar em 2018.

Alguns documentos reproduzidos no livro, considerados de grande importância para Anita Prestes são o passaporte concedido pelo consulado alemão no Rio de Janeiro; uma carta de Olga ao chefe da Gestapo na qual ela protestava por lhe terem tirado sua filha (Anita nasceu na prisão e permaneceu com a mãe por 14 meses, até ser entregue à avó paterna – fato que Olga não teve conhecimento até algum tempo depois); e o relatório da Gestapo que afirmava que Olga era uma comunista perigosa.

Em 2015, Anita já havia publicado uma biografia política de seu pai, intitulada  Luiz Carlos Prestes: um comunista brasileiro. Sua obra também trouxe documentos e fatos também desconhecidos. A autora diz que “é importante que os leitores do livro em questão tenham oportunidade de conhecer alguns documentos originas relacionados com a temática do livro”. Ela considera que a história do período em que sua mãe esteve presa pelos nazistas é um complemento do livro publicado em 2015.

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FLIP 2017 – Explorando o terreno e abertura

Ontem, dia 26 de julho, foi o primeiro dia da 15a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP). A abertura oficial aconteceu às 19h, mas durante todo o dia os leitores e turistas já puderam curtir exposições, a programação das Casas e feiras de livros.

O cenário da FLIP é o Centro Histórico de Paraty, e o palco principal é a Igreja Matriz, onde foi montado um auditório com acesso somente a público pagante. No entanto, as mesas deste auditório serão transmitidas em telão no auditório montado na Praça da Matriz, que tem acesso gratuito.

Sete Casas parceiras da FLIP oferecem palestras, mesas-redondas e oficinas durante os cinco dias de evento, numa programação paralela à principal.

Museu da Língua Portuguesa

Confesso que me emocionei com a exposição voltada à reconstrução do Museu da Língua Portuguesa (de São Paulo), que sofreu um incêndio em 2015 e está desativado para reforma. A Casa de Cultura traz uma “réplica” da Praça da Língua, um dos setores que eu mais gostava no Museu: com projeções de trechos de poemas famosos da Língua Portuguesa, música, imagens. Além da Praça, uma exposição fotográfica mostra as etapas da reforma do Museu.

 

Praça da Matriz

Na área da Igreja Matriz tem a tenda da Central Flipinha, voltada para o público infantil. Lá devem acontecer cortejos literários, contação de histórias e bate-papo com autores. Ao ar livre foram colocados tapetes enormes com almofadas, perto dos “pés de livro”, árvores com livros pendurados para apreciação do público.

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Abertura

FLIP 2017 dia 1 (22)
Auditório da Praça lotado para assistir a sessão de abertura no telão. Na tela, Lilia Schwarcz.

O escritor homenageado nesta edição da FLIP é o Lima Barreto (1881-1922), e a sessão de abertura foi comandada pela historiadora Lilia Schwarcz, que acaba de lançar uma biografia do autor, Lima Barreto: triste visionário. O ator e escritor Lázaro Ramos (homão da porra!) fez uma leitura dramática de cartas e memórias de Lima Barreto. Ele lança nesta FLIP seu livro Na minha pele, com memórias em torno do racismo.

 

Nada é perfeito

A primeira coisa que senti falta: resposta no pedido de credenciamento. Sim, eu tentei e não tive resposta. Também não há uma central de informações e o staff da FLIP não necessariamente sabe passar informações corretas sobre programação e locais.

Tem poucas livrarias, e os preços são normais, se não mais salgados do que no mercado convencional. A chance de eu não levar absolutamente nada é bem grande. E, por último… cadê marcadores gratuitos? Ou pra vender? Não vi. Vem um marcador da FLIP no livreto da programação, mas só. A FLIP 2017 vai até domingo, dia 30.

 

Heralda Victor lança romance biográfico

A escritora Heralda Victor, natural de Araranguá, lança no dia 12 de julho o livro O barbeiro do Salão Alvorada, romance biográfico sobre o barbeiro Seu Paulo. O lançamento será nas Livrarias Catarinense, no Beiramar Shopping, em Florianópolis, a partir das 19h.

heralda victor 2017

O Barbeiro do Salão Alvorada – História de uma vida sem férias conta a trajetória de um modesto barbeiro de uma cidade do interior, que de barba em barba edificou sua história de vida e a de tantos outros.  Seu Paulo é o elegante e cordial barbeiro do Salão Alvorada, que ao redor de sua cadeira de barbeiro viu passar todos os sábados ensolarados de sua vida, até que uma doença interrompeu as suas atividades profissionais.

Heralda Victor reside em Florianópolis desde 1999 e já publicou quatro obras, todas em verso. Este é o primeiro romance que publica, e já há outros três livros em produção: uma biografia, um livro de crônicas e contos, e um dedicado ao público infantil. Neste ano ela foi escolhida entre as melhores contistas infantis no Prêmio Literarte – o prêmio será entregue no dia 15 de julho.