Retrospectiva literária 2017

Depois de um tempinho sem postar (desculpe, gente 😦 ), nada mais justo do que acabar o ano com uma retrospectiva do que li esse ano. Foram 28 livros lidos, entre ressacas literárias, falta de tempo e sono… menos do que os 33 de 2016. Fiz algumas descobertas interessantes, li outras obras de autores que já gostava e comecei alguns e não terminei… veja a lista aí embaixo!

Trilogia A Busca do Graal – Bernard Cornwell

Nunca tinha lido nada do Bernard Cornwell, que se tornou especialista em romances históricos. O Arqueiro, O Andarilho e O Herege contam a saga do arqueiro inglês Thomas de Hookton na busca por sua identidade. Thomas era filho de um padre e vivia em uma aldeia na Inglaterra (Hookton), saqueada e destruída por franceses.

A busca por vingança o levou a participar da Guerra dos Cem Anos em território francês, e essa sede o levou a pistas sobre o Graal, que ele passa a procurar, a mando do Conde de Northampton, e por si próprio. O primeiro volume é fantástico, o segundo também, mas achei que o terceiro deu uma caída. As cenas de batalha são M A R A V I L H O S A S!

Saga do Mago – Raymond E. Feist

No final de 2016 eu li o primeiro volume, Aprendiz, e nesse ano li os outros 3 de uma evz só.Quem me conhece sabe que só consigo ler sagas tudo seguidinho, não consigo deixar um vácuo e ler outras coisas no meio. A saga do Mago é bastante simples e pode até parecer bobinha pra quem tá acostumado com descrições sanguinárias e conteúdo mais adulto. Tem umas tretas políticas legais, mas é uma série para adolescentes. Os títulos são: Aprendiz, Mestre, Espinho de Prata e As Trevas de Sethanon.

O detalhe é que o primeiro livro foi publicado em 1986, e em mais de 20 anos o gênero Fantasia se popularizou muito, e surgiram vários escritores. Então por mais que seja “igual” os outros que existem por aí, ele veio antes. A ambientação e alguns elementos têm bastante influência de Tolkien, chegando ao ponto de existirem cidades gêmeas, uma delas dominada por forças “do mal”. Qualquer semelhança com Minas Morgul e Minas Tirith não é mera coincidência, já que o autor era mesmo fã de Tolkien.

saga do mago com mapa
A Saga do Mago com mapa de Midkemia, onde se passa a história, enquadrado.  O mapa veio com o primeiro livro, da editora Saída de Emergência, antes de ser comprada (?) anexada (?) afiliada (?) da Arqueiro.

Por falar em Tolkien, esse ano só li Mestre Gil de Ham. É um livro curtinho, que conta as aventuras de um herói por acaso, que dá nome ao livro. Mestre Gil de Ham é um fazendeiro que acaba expulsando, muito sem querer, um gigante de sua vila. Quando aparece um dragão na região, ameaçando destruir casas e colheitas, as autoridades chamam Gil de Ham para se livrar do dragão e pegar seu tesouro, já que ele era um herói…

Clássicos

livros robinson crusoe e o medico e o monstro

Foram cinco clássicos pra conta esse ano. Robinson Crusoé  (Daniel Defoe) e O médico e o monstro (Robert Louis Stevenson) eu li pra uma disciplina de estudos da narrativa no curso de Letras. Outros dois li no primeiro semestre: Peter Pan – James Matthew Barrie, e Orgulho e Preconceito – Jane Austen.

Vou comentar apenas Morro dos Ventos Uivantes, da Emily Brontë, que acabei de ler há duas semanas. Que personagens insuportáveis! Ninguém presta nessa história, e quem presta vai deixar de ser decente, ou vai se ferrar muito e ser reduzido a um animal irracional. Acho que nunca li uma história com tanto ódio, mesquinhez, chantagem emocional, manipulação. Os personagens se xingam, brigam, gritam uns com os outros, são violentos. Os protagonistas, Heathcliff e Catherine, são pessoas horríveis que nutrem uma paixão doentia um pelo outro, que se mostra no tanto que um tenta prejudicar o outro e suas famílias. Eu acho um absurdo que isso seja vendido como história de amor. Só se for o amor romântico na sua face mais nojenta.

Leia Mulheres

Esse ano eu falhei um pouco na missão de equilibrar os gêneros dos autores na lista de leituras. Li mais homens (15) do que mulheres (13), mas vale a menção de cada um dos títulos:

  • Nossa Senhora do Nilo – Scholastique Mukasonga

Nem só de leituras leves e felizes é feita minha lista. Esse deve ter sido um dos mais pesados, junto com o da Emily Brontë. Nossa Senhora do Nilo é o nome do internato onde se passa a história. Baseado numa história real, Scholastique narra o cotidiano das meninas de elite de Ruanda, local onde deviam conviver as etnias hutus e tutsis: as estudantes tustis podiam entrar no colégio católico por uma espécie de cota, e sofriam as mais diversas retaliações das outras colegas. Ela narra sob o ponto de vista inocente das jovens a tentativa de fuga e sobrevivência das tutsis durante o massacre, que teve apoio do movimento estudantil. Esse é o primeiro livro da autora (que mora na França desde 1992) publicado no Brasil, por ocasião da FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty).

  • Até que a morte os separe e O silêncio do olhar, de Kátia Rebello

Dois títulos de uma autora catarinense, cujas resenhas você pode ler neste link e neste aqui.

  • Esta Valsa é minha – Zelda Fitzgerald

Único livro publicado pela esposa do Scott Fitzgerald, que não queria deixá-la publicar porque ele usaria um trecho no seu Suave é a noite, e tentou fazê-la retirar tal trecho. Ainda bem que ela não aceitou. Esta valsa é minha foi escrito como exercício criativo durante a internação de Zelda num manicômio, pois ela foi diagnosticada com esquizofrenia. Sempre fico com um pé atrás quando uma mulher era chamada de louca, histérica e/ou esquizofrênica na década de 1930. TÍPICO. É um livro autobiográfico, um pouco confuso e de narrativa irregular (às vezes corrido, com outros trechos mais descritivos e lentos).

  • Comprometida: Uma história de amor – Elizabeth Gilbert

A tradução desse título não faz jus ao seu conteúdo, que na realidade é: Commited: a skeptic makes peace with marriage, ou numa tradução bem livre “uma cética faz as pazes com o casamento”. Ela conta a história da instituição casamento na sociedade ocidental, e mostra como o que chamamos de tradicional na verdade só surgiu no século XIX (casar na Igreja, de branco, fazer festão), e que antes ninguém se casava por amor. O casamento existia puramente para firmar alianças políticas e econômicas. A título de curiosidade e informações, é maravilhoso! E o coraçãozão na capa não tem absolutamente NADA a ver com o conteúdo.

  • Lilás – Fernanda Friederick Jhoneslilas - fernanda friederick - resenha

O conto foi escrito para comemorar o Dia dos Namorados e é um romance. Já aviso pra preparar os lencinhos! Se quiser saber mais, falei sobre ele aqui.

 

  • Baioneta Calada – Luciana Bertoldo

O livro narra a história de uma família no interior do Rio Grande do Sul que foi perseguida durante a Ditadura Militar, pois o pai foi acusado de ser comunista, pelo fato de lutar pelos direitos dos trabalhadores e melhores condições de trabalho. Uma ótima peça que registra um período da história do Brasil.

  • Depois daquela viagem – Valéria Piassa Polizzi: leia a entrevista que fiz com ela 🙂
  • O assassinato de Roger Ackroyd – Agatha Christie: um dos melhores dela, top 3 com certeza. Esse eu reli, não era inédito.
  • Em Algum lugar nas estrelas – Clare Vanderpool
  • A redescoberta do mundo – Thrity Umrigar

Outros que também merecem menção honrosa:

  • A Bandeira do Elefante e da Arara – Christopher Kastensmidt a-bandeira-do-elefante-e-da-arara

O autor é norte-americano, mora no Brasil e resolveu desbravar essa parte da Fantasia adicionando elementos brasileiros à saga: ambientação é no Brasil colonial, os protagonistas são negros, índios e colonizadores europeus, e as aventuras têm personagens do folclore brasileiro. A resenha dele você pode acessar aqui.

  • Del amor y otros demonios – Gabriel García Márquez (Do amor e outros demônios)
  • Se una notte d’inverno un viaggiattore – Ítalo Calvino (Se um viajante uma noite de inverno)

Inacabados

Confesso que recomecei a ler Gomorra, do Roberto Saviano, e parei de ler com 64%. Isso é um avanço, já que eu havia começado em 2012 (?) e abandonei no começo. Esse ano comecei do zero e fui até que longe, mas ler sobre a máfia crua e nada glamurosa é pesado e indigesto. Outro que comecei e acabei largando foi No Urubuquaquá, no Pinhém, do Guimarães Rosa, e também recomeçarei do início quando resolver retomar.

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