Escritor de Itajaí lança livro de terror

O itajaiense Fernando Tadeu Moraes lança nesta terça-feira, 18, o livro de suspense e terror Andando Sozinho. O evento será no Balneário Shopping, em Balneário Camboriú, às 19h30. O protagonista Carlos recebe uma misteriosa carta com as iniciais de sua ex-namorada, Amanda Marcondes, que havia morrido quando quando os dois ainda eram jovens. Ele decide voltar à sua cidade natal em busca de respostas: será que Amanda está mesmo morta?

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Capa da segunda edição de Bem-vindo à escuridão

Este é o segundo título do escritor, que já tem um livro de contos, o Bem-vindo à Escuridão, publicado em 2011, por meio da Lei de Incentivo à Cultura. A obra já está na segunda edição e também pertence ao gênero terror. “Acho que esse clima de tensão e medo sempre me chamaram a atenção, isso desde pequeno nos filmes de terror. Eu tinha medo, mas tentava não perder quando passavam na tevê”, conta Fernando. Ele recorda que na infância criava com os amigos estórias, cenas e falas inspiradas em Sexta-feira 13 e A Hora do Pesadelo: “foi uma época bem divertida”.

O primeiro conto, que dá nome ao seu livro de estreia, foi escrito em 2001 e teve inspiração no jogo Silent Hill. “Meu verdadeiro interesse por literatura criar todo esse universo de suspense e terror surgiu definitivamente em 2001, mas tudo isso já estava armazenado na minha cabeça desde os sete, oito anos de idade. Minha irmã foi a pessoa responsável e culpada por essa vontade de escrever”, diz Fernando. Apenas em 2008, quando participou de um curso de escrita no SESC, ele retomou a produção.

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O autor Fernando Tadeu Moraes

Fernando Tadeu Moraes trabalha na área de informática e estudou jornalismo por seis anos, “acho que larguei [o curso] por não estar contente, ou porque a vontade de escrever livros tinha ficado maior”. Atualmente ele está escrevendo novos capítulos para o conto Distraído para a morte, que está em seu primeiro livro. O plano do escritor é relançá-lo em uma edição só com esta história. No próximo mês, Fernando terá um conto na antologia Contos da Carochinha e Outras Lorotas, da Câmara Brasileira de Jovens Escritores.

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Literatismos esteve no Festival Literário Internacional Catarinense

Estive hoje no FLIC, o Festival Literário Internacional Catarinense, que começou hoje e vai até dia 16 de outubro, na Palhoça. A entrada é gratuita, e a programação vai das 15h às 20h no dias 13, 14 e 15; e das 11h às 17h no dia 16.

O primeiro dia foi dedicado à Literatura Infantojuvenil, e teve palestras sobre o tema na parte da tarde:  Como escolher livros infantis, com Denise Guilherme do projeto A Taba,  Como nasce um livro?, com Anna Cláudia Ramos, e Literatura e Cinema: o livro e sua imagem, com Yedda de Castro Bräscher Goulart. Veja só algumas fotos do evento (clique para aumentar e ver as legendas):

 

 

Ministério Público lança concurso de poesia em Balneário Camboriú

O Ministério Público de Santa Catarina está promovendo em Balneário Camboriú o concurso internacional Poesia no Ônibus. O tema é natureza e meio ambiente, como valorização dos espaços naturais e preocupação com a degradação ambiental. As inscrições podem ser feitas até o dia 31 de outubro pelo e-mail: poesianoonibusbc@gmail.com

logo-poesia-onibus-balneario-camboriu-transparente-2Serão selecionados 50 trabalhos inéditos, que ficarão expostos nas janelas dos ônibus urbanos, bondinhos e pontos de ônibus da cidade. Cada autor finalista receberá também seis exemplares da coletânea com as poesias ganhadoras do concurso. A publicação deve ser lançada em novembro.

A comissão julgadora adotará como critérios de seleção a criatividade, a qualidade literária e as adequações ao tema e à finalidade do concurso.

As categorias para inscrição são duas: Poema Livre, com até 10 versos, e Trova, quatro versos de sete sílabas métricas com rimas intercaladas ABAB e sentido completo. Cada candidato poderá inscrever um único trabalho em cada modalidade, e em caso de inscrição nas duas, os poemas devem ser enviados em e-mails separados.

O concurso é aberto para qualquer pessoa com mais de 18 anos. Para mais detalhes, consulte o regulamento do concurso.

Floripa terá feira de publicação de artista neste fim de semana

O Palácio Cruz e Sousa irá receber nos dias 8 e 9 de outubro 55 expositores na II Flamboiã, uma feira de publicações de artista. Você encontrará por lá trabalhos pensados por artistas ou lidos como arte, em formato de publicação: livros, cartazes, postais, fanzines. “São trabalhos que geralmente não estão nem na biblioteca, nem numa galeria de arte”, explica Marcos Walickosky, um dos organizadores da feira.

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Expositor Peleja, de Florianópolis, criado por Pedro Franz. Imagem: divulgação Flamboiã

A ideia para a feira surgiu quando Marcos e Gabi Bresola iniciaram pesquisas sobre  publicações de artista no curso de Artes Visuais, da UDESC (Universidade do Estado de Santa Catarina). Eles participaram de outras feiras, grupos de estudo e integraram a equipe da sala de leitura | sala de escuta na universidade – projeto que conta com a colaboração de professores, alunos e artistas.

O objetivo do evento é reunir editoras e artistas para exporem e venderem seus trabalho, iniciando um circuito de publicações e formação de público. “Nós produzimos publicações e vemos que há muita produção na cidade, mas muitas vezes não sai daqui, não entra em contato com outros publicadores”, diz o organizador. Apesar de ainda ser pequeno em Florianópolis, desde 2006 essa produção está sendo construída por estudantes e profissionais de Artes Visuais, Design e Literatura. Alguns exemplos são a Plataforma par(ent)esis, o projeto Armazém, as disciplinas e graduação e pós-graduação da UDESC que promovem exposições e publicações, e as pequenas editoras e artistas que trabalham com edição independente.

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Primeira edição da Flamboiã, realizada em novembro de 2015. Imagem: Divulgação Flamboiã

Em relação à primeira edição da Flamboiã, a feira praticamente dobrou de tamanho: teve 31 expositores, sendo 15 da capital. Neste ano, 21 são de Florianópolis. A ideia para a edição de 2016 foi fazer uma curadoria direcionada para o texto nas artes visuais, unificando o conceito da feira e relacionando as publicações e programação geral – que além das exposições tem também intervenções culturais. As referências são artistas que usam produção industrial para trabalhos conceituais: “nós acreditamos muito mais num trabalho que possa ser reprodutível e acessível, do que os trabalhos que mantêm a ‘aura da obra de arte’, exemplares feitos um a um e que acabam virando fetiche, e repetem o sistema das artes”. O preço das obras vai variar de R$ 2 a R$ 500, e a entrada é gratuita.

Serviço

O quê: Feira Flamboiã
Onde:
Palácio Cruz e Sousa – Rua Tenente Silveira, 60 – Centro, Florianópolis
Quando: 8 e 9 de outubro, das 11h às 18h
Entrada: gratuita

Consulte a programação

Imagem de destaque: expositor Selo Armazém Letërsi Cultura e Barbárie Editora, de Florianópolis.  Imagem: divulgação Flamboiã

Entrevista: Christopher Kastensmidt

Radicado em Porto Alegre desde 2001, o estadunidense Christopher Kastensmidt começou sua carreira como escritor profissional em 2005. Em 2006, ele decidiu ambientar histórias de fantasia no Brasil, e o resultado foi a série A Bandeira do Elefante da Arara, que se passa em Salvador, no período colonial.

A primeira noveleta da saga, O Encontro Fortuito, foi publicada em abril de 2010, na revista norte-americana Realms of Fantasy, e venceu o prêmio de melhor história do ano escolhida pelos leitores. O conto também também foi finalista do Prêmio Nebula no mesmo ano.

Christopher trabalhou como desenvolvedor de games até 2009 e hoje escreve, dá aulas e  faz palestras sobre narrativas, games, letramento digital e criatividade. Ele é um dos organizadores do evento anual Odisseia de Literatura Fantástica. Suas obras já foram publicadas em 12 países e também ganharam versão em quadrinhos.

a-bandeira-do-elefante-e-da-araraRecebi um exemplar do livro A Bandeira do Elefante da Arara, que reúne dez contos da série, na minha NerdLoot e fiquei curiosa sobre a história e sobre o autor. Confere aí a nossa entrevista!

Jéssica TrombiniComo despertou seu interesse pela cultura fantástica brasileira?
Christopher Kastensmidt – No ano 2000, o meu antigo estúdio de games (a Southlogic Studios) começou um projeto ambientado na Floresta Amazônica. Para dar mais profundidade ao mundo do jogo, um dos meus sócios recomendou colocar um elemento fantástico, baseado no folclore da região. Li vários livros sobre o folclore indígena e do Brasil em geral. Fiquei fascinado com a riqueza da mitologia nacional. Nunca terminamos o projeto, mas tudo aquilo ficou na cabeça para depois.

JT- Como surgiu a ideia para a série A Bandeira do Elefante da Arara?
CK – Muitas das minhas primeiras leituras em português, quando conheci o país e comecei a estudar o idioma no final dos anos 90, foram livros de história. Quase uma década depois, em 2006, uma época em que eu estava produzindo muitos contos para o mercado norte-americano, tive a ideia de escrever uma fantasia ambientada no Brasil.
Das minhas leituras anteriores, achei o século XVI o período mais interessante para este tipo de história, uma época em que eu poderia trazer um protagonista estrangeiro para conhecer este território vasto e desconhecido. Também, é uma época com uma convergência cultural muito forte, com europeus, africanos e indígenas de dezenas de nações diferentes interagindo ao longo do litoral. Material nunca falta para acrescentar histórias novas a este mundo.

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Logotipo oficial A Bandeira do Elefante e da Arara. Ilustrador: Leonardo Amora

JT- O que representam o elefante e a arara na sua obra?
CK – A arara é o Brasil, é o Mundo Novo, é toda a magia e possibilidade infinita que o viajante podia sonhar nesta terra desconhecida no século XVI. É o país que o Gerard van Oost, o primeiro protagonista, escolhe como lar, e por isso, é a representação dele. O elefante representa a África e a importância da sua cultura na formação da cultura brasileira. Ao mesmo tempo, representa o segundo protagonista, Oludara, e seu lar, sua promessa de voltar lá algum dia. Estes dois animais figuram na primeira história da dupla, sua “história de origem”, e viram dois elementos simbólicos na bandeira das personagens.

JT- A saga deve ter uma continuação?
CK – Vai ter continuação, sim, mas não vai sair tão cedo. O primeiro livro é muito bem fechado, conta uma história completa, mas na última página dá um teaser do que vai acontecer no próximo arco. Sem dar spoilers, este segundo arco vai demorar para ser escrito, pela complexidade do ambiente. Provavelmente, vou lançando algumas histórias individuais aos poucos (como está acontecendo com estas primeiras histórias atualmente em inglês e chinês).
Porém, isso não quer dizer que não vai ter outro conteúdo durante este tempo, vai ter bastante para outras mídias. Um jogo de tabuleiro inspirado no livro vai sair até o final do ano pela Devir Livraria (a mesma editora do livro), e esperamos lançar um RPG de mesa no ano que vem. A primeira história foi adaptada para um livro em quadrinhos em 2014 (lançado também pela Devir) e eu gostaria de lançar histórias inéditas em quadrinhos em algum momento também. Tenho estou trabalhando com estúdios brasileiros com projetos para um jogo digital e um desenho animado, mas estes projetos estão na fase de captação, por enquanto.

JT – Qual a importância de criar uma literatura de fantasia com elementos da cultura nacional?
CK –  Importante é apoiar a cultura nacional, não necessariamente utilizar elementos da cultura nacional na ficção. Não importa um livro ser ambientado em Roraima, na Europa medieval ou em Marte, se o autor for nacional, a obra é uma produção cultural brasileira. Isso porque o próprio autor leva toda sua bagagem cultural, toda a sua formação, na criação da obra. O olhar é sempre nacional, seja qual for o assunto.

“Não importa um livro ser ambientado em Roraima, na Europa medieval ou em Marte, se o autor for nacional, a obra é uma produção cultural brasileira.”

Há pessoas que menosprezam a produção nacional em geral, mas acho que têm uma visão distorcida do mercado. Elas julgam esta produção contra o que vem de fora, só que o produto importado já passou por um filtro muito grande: recebemos aqui o melhor 10% do que é produzido lá fora, mas estamos expostos a 100% do que é produzido aqui. Não é uma comparação justa. Até muitos conteúdos “importados” são produzidos por artistas brasileiros. Por exemplo, temos quadrinhistas nacionais criando obras para DC e Marvel. Exportamos o talento para importar a obra. A produção cultural aqui é muito forte, mas ainda temos que desenvolver o mercado.

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Ilustração de Gerard e Oudara, feita por Sula Moon

JT – Como tem sido a receptividade da obra no exterior e no Brasil? Elas são diferentes?
CK – A receptividade é bem diferente, e vem evoluindo ao longo do tempo. Quando comecei a escrever estas histórias, pensei primeiro no mercado estrangeiro, porque achei que o pessoal aqui podia achar “comum” demais uma fantasia com criaturas do folclore nacional. Ao mesmo tempo, ninguém fora do Brasil conhece as lendas brasileiras, nem o Saci (que é personagem importante no livro). Esta primeira aposta deu certo, porque a primeira história do mundo (O Encontro Fortuito) venceu o prêmio Realms of Fantasy e foi finalista do Nebula, um dos dois maiores prêmios de literatura especulativa do mundo. Teve um apelo muito forte para o leitor estrangeiro para fugir daquela fantasia medieval tão prevalente.
Porém, quando lancei a mesma obra aqui (em grande parte pela insistência do autor e editor Roberto de Sousa Causo), descobri que houve uma aceitação maior ainda, muito mais do que esperava.
Ao ler os meus livros, muitas pessoas me admitem que não aprenderam bastante sobre o folclore e história do próprio país. Fico muito contente com este tipo de comentário, porque faz valer os anos que gastei na pesquisa.
Engraçado é que, no exterior, o público dos livros é adulto, enquanto quem lê aqui são principalmente adolescentes. Os livros estão sendo adotados rapidamente nas escolas. Ano passado, palestrei em dezenas de escolas, para mais de 5.000 alunos, sobre o livro em quadrinhos. Lá fora, imagino que o leitor tenha que ser um pouco mais maduro para absorver toda esta cultura “estrangeira” que aqui faz parte do cotidiano.

“Ao ler os meus livros, muitas pessoas me admitem que não aprenderam bastante sobre o folclore e história do próprio país. Fico muito contente com este tipo de comentário, porque faz valer os anos que gastei na pesquisa.”

JT – A maior parte da literatura que traz personagens folclóricos é destinada a crianças. Como você se sente desbravando esse tipo de literatura para jovens e adultos?
CK – Quando tive a ideia de trabalhar com folclore brasileiro, perguntei sobre outros autores do gênero, e todo mundo me indicava apenas o Monteiro Lobato. Fiquei meio chocado de ver que a única referência era um autor que escrevia 100 anos atrás!
Mas, ao longo dos anos, descobri que não sou o único; há vários autores desbravando este território comigo. Para jovens leitores, recomendo Os Sóis da América da Simone Saueressig e O Legado Folclórico do Felipe Castilho. Para obras mais adultas, têm a Saga de Tajarê do Roberto de Sousa Causo, Cira e o Velho do Walter Tierno e Anhangá: A Fúria do Demônio de J. Modesto. Recomendo todos!

Se você quiser ainda mais detalhes sobre os livros do Christopher e a saga A Bandeira do Elefante e da Arara, acesse o site do autor 🙂

Foto de destaque por Ismael Fonseca.