UFSC publicará livro de causos da Biblioteca Universitária

Para registrar as histórias inusitadas que aconteceram nos mais de 50 anos da Biblioteca Universitária da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), 17 autores foram convidados para transformá-las em contos. O livro Entre estantes e entre tantos: histórias inusitadas na biblioteca  já está em fase de diagramação e será publicado até o final do ano.

As histórias surgiram a partir de entrevistas com 14 funcionários da biblioteca, e os próprios autores dos contos puderam escolher sobre qual iriam escrever. Ao todo, 23 causos estarão registrados neste que deve ser apenas o primeiro volume de uma coleção. A diretora da BU, Roberta de Bem, conta que a ideia é tornar este um projeto permanente, já que as histórias continuam acontecendo todos os dias. Pela BU passam 5 mil pessoas por dia.

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Crédito: Henrique Almeida – Agecom

A ideia para o livro surgiu em 2008 pelos causos contados pelos funcionários mais antigos, principalmente pelo servidor Arilton Tomaz. “Nós precisávamos registrar essas histórias, senão elas iriam se perder, pois as pessoas que as contavam poderiam falecer. Isso tudo faz parte da história e da cultura da universidade”, explica Roberta. Seu Arilton, como era conhecido, faleceu em 2012, antes que ela e os outros bibliotecários pudessem colher seu depoimento.

O projeto acabou atrasando devido à falta de tempo dos funcionários em colher os depoimentos, já que não era uma atividade do cotidiano, e acabava ficando em segundo plano. Neste ano, Roberta e Andréa Figueiredo Leão Grants, também bibliotecária e idealizadora do projeto, decidiram que o livro finalmente seria publicado.

Os dois grandes apoiadores do projeto foram os professores Alcides Buss e Marcio Markendorf, que terão contos no livro. Outros escritores já conhecidos também estarão lá, como Katia Rebello e Ana Esther Balbão Pithan. Além destes, terão seus textos publicados participantes da Oficina Literária Boca de Leão, da Biblioteca Pública do Estado, e as idealizadoras do projeto, entre outros autores.

 

 

Vera Lúcia lança Um Olhar Carinhoso

A escritora Vera Lúcia Joaquim Silva lançou neste mês de setembro seu 4º livro, Um olhar carinhoso. Primeira obra dedicada ao público adulto, o título traz reflexões da autora sobre a mulher e seu papel nas transformações sociais, morais e culturais.

Nesse passeio sobre a vida das vera-um-olhar-carinhoso-1mulheres, Vera fala de trabalho e vida sentimental, como se estivesse contemplando de uma janela tudo o que acontece com elas. Em sua opinião, o homem não está preparado para encarar os novos papéis que a mulher tem assumido, e muitas vezes não os aceita.

Carioca e residente de Florianópolis desde 1972, trabalhou 30 anos como enfermeira obstetra. Seu livro nasce desse contato com diversas mulheres, de diferentes idades, com seus sofrimentos e dificuldades. “Em toda a minha trajetória de vida convivi com todas as classes sociais, e sempre foi maravilhoso porque aprendi muito. Se o Senhor me chamar e eu voltar para a Terra, eu quero trabalhar em um hospital”, diz a autora.

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Pingo de Chuva, ilustração da capa de seu primeiro livro

Apaixonada pelas letras, sempre escreveu e guardou textos que produzia em casa. Em 2010 lançou seu primeiro livro infanto-juvenil, Pingo de Chuva menina falante. A história tinha como personagem principal uma menina chamada Pingo de Chuva, inspirada em sua primeira filha, que perdeu quando tinha 7 aninhos. Em 2012 a personagem retorna no volume Pingo de Chuva- a cor da amizade e, em 2013 na aventura Árvore Condomínio. Com este último Vera ganhou uma cadeira na Academia Alcantarense de Letras.

Resenha: Ode de Sangue

Madalena é uma vampira de 400 anos que vive em um monastério. A gente poderia pensar que os objetos sagrados manteriam um vampiro longe de um ambiente assim, mas o perigo à vida dela não reside nos objetos, e sim na fé daqueles que os usam. Além disso, Madalena busca a salvação. Ela sente culpa por ter dentro de si uma besta que tira vidas humanas e se alimenta de sangue para sobreviver.

Narrado em primeira pessoa, o conto Ode de Sangue – memórias vampirescas, da escritora Nana Garces, mostra o conflito interno da irmã Madalena. Como bem diz um dos personagens, ela é humana demais para uma vampira. Madalena sente, sofre e até chora. Em certo momento, ela conta de onde veio seu nome, inspirado em Maria Madalena, o que achei uma sacada genial, porque combina com a personalidade dela:

“Madalena foi uma mulher de duas vidas. Ela foi atrás do que acreditava, buscando redenção.”

Ao contar sua história e as mazelas por trás da vida religiosa de um monastério, ela muitas vezes se emociona com o próprio relato e passa essa mesma impressão ao leitor. Eu senti pena, raiva, em alguns momentos me arrepiei e em outros me emocionei. A narrativa é densa e rica em detalhes, porque Madalena é uma boa contadora de histórias.

quote-ode-de-sangue-1Algumas vezes seu interlocutor interrompe o relato, voltando ao momento presente com alguma pergunta, e eu até havia esquecido que ela estava em outra cena e narrando para outra pessoa o que havia ocorrido 400 anos antes. As mudanças de foco narrativo são muito bem construídas. Em alguns momentos me lembrei de Entrevista com o Vampiro, quando Daniel  (Christian Slater) faz intervenções à narrativa de Louis (Brad Pitt).

Percebi que Madalena não é uma vampira convencional. Estamos acostumados à sensualidade, ao mistério, aos banhos de sangue e à violência nas histórias de vampiros. Madalena é uma vampira de classe. Ela é amante de música e literatura e quer continuar convivendo com a raça humana, sem lhe fazer mal, e algumas vezes buscando justiça.

Ode de Sangue é um e-book e foi publicado pela Essência Literária. Ele está disponível na Amazon, neste link.

Nota: 10, a história me prendeu!

Ficha
Título: Ode de Sangue – memórias vampirescas –
Nana Garces
Editora: Essência Literária
Ano: 2016
63 páginas

Obs importante: Esse foi meu primeiro contato com histórias de vampiros na literatura. Até esse momento, confesso que nunca havia lido nada, apenas vi filmes (como o que citei acima), mas depois dessa leitura me deu vontade de ler Anne Rice e Bram Stocker!

Entrevista: Cristina Klein

Você já deve ter ouvido falar dos palhaços Patati e Patatá. Mas você sabia que umas das autoras dos livros da franquia mora em Florianópolis?

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Cristina Klein e alguns de seus livros. Foto e reprodução das capas dos livros cedidas pela autora.

Cristina Klein é de Porto Alegre e escreve desde pequena. Ela começou com minicontos sobre tudo que via, e aos dez anos de idade ganhou um concurso de redação na escola que teve como prêmio a coleção Para Gostar de Ler, que terminou de despertar sua paixão pela Literatura.

Cristina tem formação em Letras, é professora de português e inglês, estudou Jornalismo e tem pós-graduação em Educação. Já tem aproximadamente 100 títulos com publicação nacional. Há mais de 20 anos no mercado literário como revisora, tradutora e escritora, nos últimos dez se dedicou ao público infantil, com abordagem para inclusão social, ação cidadã e responsabilidade social.

Jéssica Trombini Como foi que você despertou para a escrita?
Cristina Klein – Entrei para a escola aos 6 anos. Tão logo aprendi a formar frases, comecei a construir pequenos contos. Isso não era tarefa escolar. Era uma necessidade mesmo. Qualquer coisa virava assunto: as folhas de uma árvore que faziam um barulhinho gostoso de ouvir ao serem surpreendidas pelo vento; o vestido da minha boneca; um passeio feito de carro… Depois lia para minha mãe, que sempre gostava e elogiava. Isso foi um incentivo e tanto!
Depois, os minicontos viraram contos… Ganhei um concurso de redação lá pelo 4º ano e o prêmio foram os livros da série Para Gostar de Ler. Li tudo em uma semana, degustando como se fosse comida. Li a maioria dos grandes clássicos brasileiros antes dos 13 anos. Foi nessa época que eu soube ser a literatura o caminho da minha felicidade, mas não sabia se teria a chance de segui-la como profissão.
Mas viver de literatura me soava impossível e era isso o que a maioria das pessoas pensava e pensa sobre o assunto também. Então, fui cursar Informática na faculdade e tentei Odontologia antes de perceber que o único caminho pra mim eram as Letras, do jeito que fosse, do jeito que a vida quisesse. Concluí o estudo do meu desejo, veio ainda o Jornalismo, a pós e tudo se acomodou na inconstância do meu pensamento de escritora.

trabalhando-as-diferencas_sofiaJT – A maioria dos seus livros é dedicada para o público infantil. Por que esse direcionamento e quais os desafios de desenvolver histórias para crianças?
CK – Foi muito por acaso que a literatura infantil entrou na minha vida. Tudo o que escrevi antes – roteiros de cinema, peças de teatro, contos e crônicas – foi feito para o público em geral. Mas eu também sempre soube que escrever para crianças não é tarefa simples. Os recursos textuais e visuais precisam ser pensados com muita acuidade pedagógica – eis os desafios para o livro ser sério – mesmo quando são historinhas leves e engraçadas.
Então, aconteceu o convite de uma editora onde eu trabalhava, no interior de SC, para escrever aos pequenos. Depois, uma empresa com um público mais direcionado me chamou, e assim surgiram os livros diferenciados que tenho – com muito orgulho – voltados para questões como inclusão e valores. Mas também tenho livros paradidáticos, que são aqueles que complementam o ensino formal. São dicionários de Língua Portuguesa, Língua Inglesa e Minigramática.

JT – Como você virou a escritora dos livros da marca Patati e Patatá? 
CK – Sim, uma alegria para mim! Uma Editora comprou os direitos – royalties – para a escrita, impressão e distribuição de livros com a marca Patati-Patatá, cuja propriedade é da Rinaldi Produções Ltda. Eu fui chamada para escrever. As histórias versavam sobre meio ambiente, escola, família, bons hábitos, valores, amizade, amor à natureza, amor aos bichos, enfim, foram centenas de historinhas nos mais variados formatos: livros-travesseiro; com música; livros para ler antes de dormir; com a família etc, cheios de imagens registradas da dupla de palhaços em desenho. Foram quatro anos de parceria entre a Rinaldi e a Editora, de 2010 a 2014. 

365_patati_patataJT – Qual a influência, no seu trabalho, de ser a escritora oficial de uma marca tão famosa? 
CK – Isso me deu mais visibilidade e surgiram outros trabalhos. Mas, como falei, as muitas produções foram realizadas no intervalo de quatro anos. A partir de então, não há ninguém escrevendo para a marca no formato Livros, o que só pode ser feito, legalmente, mediante contrato.

JT – Você está trabalhando em algum novo lançamento? 
CK – Estou trabalhando, há dois anos e meio, numa coleção paradidática para uma editora do nordeste brasileiro. Os livros contemplam todos os anos do Ensino Fundamental. Antes desse trabalho, já escrevi um livro único, também paradidático, para a mesma empresa, versando sobre assunto diverso ao dessa coleção.

Se você quiser conhecer mais sobre o trabalho de Cristina Klein, acesse o site da escritora neste link 🙂

A Sacerdotisa de Avalon

“Todos os deuses são um Deus, e todas as deusas são uma Deusa”. A frase dita por gerações de sacerdotisas de Avalon ao longo da saga se mostra totalmente plausível em A Sacerdotisa de Avalon, que parece um “spin-off” da saga.

A Sacerdotisa de Avalon conta a história de Santa Helena: grande parte dos fatos do livro realmente aconteceu, e a maioria dos personagens é histórica. Eilan (nome bretão de Helena) era filha de uma sacerdotisa e acaba sendo expulsa de Avalon por sua tia. Ela vai embora com Constancius, e eles têm Constantino – aquele que viria a ser imperador de Roma.

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Todos os livros anteriores às Brumas de Avalon encontrei em sebos, pois são antigos e não foram reeditados.

Eilan é devota da deusa Elen dos Caminhos, que tem a mesma representação na Germânia com Nehelennia, a mesma em Roma com outro nome, a mesma no Egito com outro nome. Marion Zimmer Bradley, em toda sua obra, questiona as brigas religiosas, mas senti que nesse livro o questionamento é mais forte. O ponto crucial é que os povos vivam em harmonia, independentemente de suas crenças, e é nisso que Eilan (ou Helena) acredita.

O livro é narrado em primeira pessoa, o único assim de toda a série. Outra diferença legal é que a historia inteira é focada em um personagem, não em diferentes núcleos como nos outros livros. Achei ótimo ter essa variação.

Em toda a saga sempre aparecem personagens que tentam pregar a convivência pacífica com outros povos, mas prevalece a vontade da maioria em tentar dominar a cultura alheia e acabar com ela. A crítica maior é ao império romano, que tentou dizimar as culturas dos povos dominados. Chega a ser irônico que a mãe do imperador, sendo pagã, sacerdotisa de Avalon, seja considerada santa da igreja católica logo após sua morte.

A História diz que ela se converteu muito antes, e é considerada mãe do Cristianismo, por ter influenciado Constantino a permitir o culto a Cristo no Império Romano e ter financiado a construção de importantes igrejas.

Acho que pelo fato de se passar fora de Avalon é que esse livro me chamou mais a atenção. O que aconteceria com uma sacerdotisa solta no mundo? Bom, por onde Helena passou fez a diferença e levou a mensagem de esperança e amor para diversas pessoas, pois ela ajudou a curar doentes e a cuidar de pessoas necessitadas. Isso prova que a bondade não tem religião: ela é universal.

Antes das Brumas

Além dos quatro famosos volumes de As Brumas de Avalon, que são o fim da saga da ilha sagrada, existem outros oito volumes anteriores. Isso mesmo, OITO! E A Sacerdotisa de Avalon é o 8º. Tudo começa em Atlântida (cujos dois primeiros volumes eu pulei), e no terceiro livro, chamado Os Ancestrais de Avalon, alguns sobreviventes do afundamento da lendária Atlântida chegam ao local onde seria instalado o Tor sagrado.

A Espada de Avalon, 4º volume da série, não foi publicado no Brasil, só em Portugal (e até rolou uma petição para que a obra fosse lançada por aqui). Então fui para Os Corvos de Avalon (5º), A Casa da Floresta (6º) e A Senhora de Avalon (7º). O título a que me refiro neste post acontece na maior parte fora de Avalon, e quase sem contato com o que acontecia naquela ilha. A história se passa paralelamente à segunda geração tratada em A Senhora de Avalon, quase 200 anos antes da história de Viviane, Igraine, Morgana e Artur.

O 3º, 4º e 5º volumes foram organizados por Diana Paxson, seguidora da Marion Zimmer Bradley, a partir de manuscritos deixados pela autora.

 

Nota: 9,5

Ficha: A Sacerdotisa de Avalon – Marion Zimmer Bradley
Editora Rocco
Ano: 2002
438 páginas