Projeto Leitura e Relaxamento

Você sabia que todas as segundas-feiras, no final da tarde, existe um espaço na UFSC para relaxar fazendo yoga ao som de um poema sendo recitado? Este é o Projeto Leitura e Relaxamento, criado pela mestranda Carla Sousa, da pós-graduação em Ciência da Informação.

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Foto: Henrique Almeida – Agecom/UFSC

A área de estudo de Carla é a Biblioterapia, ou Leitura Terapêutica, e o objetivo do projeto é oferecer um momento de pausa na loucura diária. Como nos exercícios próprios do yoga as pessoas já se encontram relaxadas e já focaram em sua respiração, corpo e sua mente, a biblioterapia pode auxiliar nesse momento:  “num estado de relaxamento e concentração as pessoas vivenciam melhor as histórias e a partir daí podem receber os benefícios que elas possuem de fazer, dentre os quais está a introspecção. As histórias sempre acabam levando as pessoas a refletirem sobre elas mesmas e suas atitudes.”

Primeiro são feitos exercícios de relaxamento e respiração, e em seguida exercícios corporais. A leitura é a última parte do encontro, quando os participantes se deitam em colchonetes. O trabalho é realizado com textos curtos, como poemas e contos, que sejam envolventes e cheios de metáforas, mas também acessíveis a todos. “É um trabalho de escolha delicado porque não é qualquer história que vai proporcionar os benefícios da biblioterapia”, explica a mestranda.

Ao fim da sessão, os participantes compartilham suas experiências:

Por si só, o diálogo é terapêutico porque a pessoa percebe que não está sozinha no mundo. Percebe que muitas vezes o que sente, e que foi despertado pela história, também foi sentido pelo colega. Além disso, o fato das pessoas se expressarem também acaba tirando um peso que ela carrega. Mas nos encontros essa fala é sempre muito livre. Ninguém é obrigado a falar sobre suas impressões. Aconteceram muitos encontros em que ninguém falou ao final. E isso também é válido. Porque de alguma forma o processo de introspecção a partir da história aconteceu e continua acontecendo mesmo quando a pessoa vai pra casa.

Carla nos conta que alguns participantes nunca faltam, e sempre há aqueles que dizem estar mais tranquilos no seu dia-a-dia, prestam mais atenção à respiração, e fazem melhor suas atividades cotidianas controlando a concentração. Eles acabam levando para a vida o que aprendem nos encontros.

GOSTOU? Os encontros acontecem das 17h20 às 18h30, e são abertos a qualquer pessoa que se interesse em participar. São gratuitos e não é necessário fazer inscrição.

Mas corra! Dia 03 de julho é a última sessão do semestre, pois a universidade entrará em férias, e o projeto deve ser retomado em agosto.

Local: Espaço do Corpo, Bloco A do Centro de Educação (CED)

Grupo de Poetas Livres

Eles têm poemas nos ônibus urbanos, estampados em sacos de pão de duas padarias do continente, gravados em bancos de praças nos bairros de Itaguaçu e Bom Abrigo, reunidos em livros (antologias poéticas anuais) e na revista semestral Ventos do Sul. Esses são apenas cinco dos 16 projetos para divulgar o trabalho do Grupo de Poetas Livres (GPL), que existe desde 1998 e se reúne uma vez por semana na Biblioteca Municipal Professor Barreiros Filho, no Bairro Estreito, Florianópolis, às quintas-feiras, das 17h às 19h.

poetas livres

São cerca de 40 associados no Grupo, entre pessoas que o frequentam presencialmente e sócios correspondentes, mas já passaram mais de 300 poetas nos 18 anos de existência. Para realizar seus projetos, o GPL utiliza recursos próprios, que são obtidos através da cobrança de uma mensalidade dos associados.

Para publicar um poema na revista, o poeta deve ter presença nas reuniões dos Poetas Livres há pelo menos um ano. Antes de 2009 (ano do regimento em vigor), esse tempo mínimo era de apenas três meses. Heralda Victor, vice-presidente do GPL, conta que ele foi aumentado porque os poemas eram publicados e as pessoas paravam de frequentar o grupo.

Membros

Maristella Giassi conheceu o Grupo de Poetas Livres por meio do Poesia na Praça (leia abaixo), e participa há dois anos. Para ela, a experiência de ir às reuniões, declamar poemas e ser aplaudida por todos “continua sendo incrí­vel e também terapêutica. Aqui encontramos espaço para falar de nós e escutar a todos, mas o que nunca sabemos se o que escutamos são fantasias, mensagens ou realidades. Sabemos somente que são poemas.”

Outra participante do GPL, Dona Maria Pereira se alfabetizou aos 66 anos, mas já fazia poesia falada. Ela conta que tinha receio de ir às reuniões dos Poetas Livres e se perguntava o que iria fazer lá, entre pessoas letradas. Depois de muitos convites insistentes da amiga Maurília Freitas, que já frequentava as reuniões do grupo, acabou aceitando e já faz parte do GPL há 11 anos.

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Maura Soares, presidente do GPL, conta que o grupo está aberto a pessoas de todas as idades: tanto Dona Maria, que tem 87 anos, quanto a membros mais novos, a partir de dez anos. Um exemplo é Alan Bernardes, que entrou no grupo quando tinha essa idade e permaneceu sete anos. Desde 2011 dá palestras para alunos em escolas sobre o trabalho realizado com os Poetas Livres, a fim de incentivar as crianças a participarem.

Muitos dos participantes do grupo são também membros de academias de letras, como Heralda Victor, da Academia Catarinense de Letras e Artes e da Academia Desterrense de Letras, e Celso de Souza, das academias de Governador Celso Ramos e de São Pedro de Alcântara. Dessa forma, é possí­vel fazer interação com outros grupos literários, a partir de convites para painéis, saraus e lançamentos de livros. Neusita Luz, que também faz parte das academias de letras de Governador Celso Ramos e Biguaçu, diz que, ao contrário desses espaços, o GPL acolhe todos, independendo de número de vagas e dos participantes terem ou não alguma obra publicada, bastando gostar de poesia e de escrever.

Poesia na praça e descaso

A ideia de gravar trechos de poemas de autores catarinenses em encostos de bancos nas praias de Itaguaçu, Bom Abrigo, Palmeiras e Balneário Estreito, surgiu em 2000, durante a revitalização desses locais. Entre 2000 e 2004, 128 bancos foram marcados a fogo (pirografia) com versos de poetas já falecidos ou ainda vivos.

divulgação poetas livres

Por causa do tamanho do espaço, só era possível gravar quatro versos, que tinham de fazer sentido para quem os lesse. Foram feitas pesquisas e até mesmo concursos dentro do grupo para elaboração das estrofes.

Devido à  exposição ao tempo e à  falta de manutenção dos locais pela prefeitura, os bancos se deterioraram. No Bom Abrigo, em 2010, a associação do bairro pintou os bancos, e os poemas foram cobertos pela tinta. Maura Soares lamenta sobre o fim do Poesia na Praça: “este projeto morreu, mataram duas vezes os nossos poetas catarinenses”. Por causa da dificuldade de realização, principalmente em relação à  pesquisa, e da falta de conservação, os Poetas Livres abandonaram este projeto. Enquanto isso, outras iniciativas continuam a dar certo, como o Viajando com Poesia, cujos versos estão nas janelas dos ônibus urbanos, que já está na 26ª edição.

*UPDATE: Em dezembro de 2015 o Grupo de Poetas Livres lançou sua 8ª Antologia, e a revista Ventos do Sul vai para seu 46° número. Você pode acessar as revistas neste link.

O GPL também criou um novo projeto interno, chamado O Escritor e sua Obra, no qual membros do grupo ou escritores convidados apresentam suas obras. Segundo a ex-presidente Maura Soares, o grupo chegou a participar da Feira do Livro, pois há membros com livros para expor, além das antologias do GPL.

O projeto Viajando com Poesia não existe mais, e os bancos do Poesia na Praça estão deteriorados. A atual presidente do GPL é Eloah Westphalen.

Esta reportagem foi escrita em abril de 2012 e publicada no site do Projeto de Extensão Cotidiano UFSC. Texto e fotos de minha autoria. 

Entrevista com Ana Esther Balbão Pithan

A estreia desta seção no Literatismos é uma entrevista com a escritora Ana Esther Balbão Pithan. Ela é gaúcha de Erechim, radicada em Florianópolis há mais de 20 anos. Professora de língua inglesa e literatura, Ana escreve em dois idiomas, em sua maioria livros infantis. Seu primeiro, publicado em 2004, foi livro Terapia Ocupacional, Contos, cuja produção levou um ano com a elaboração de um texto por semana.

De sua autoria tive contato com o Lendo nas Entrelinhas, de 2012, sobre o qual também falamos na entrevista que você vai ler agora.

 

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Lançamento do livro Lendo nas Entrelinhas, em novembro de 2012 (Acervo pessoal da escritora)

JéssicaMe fale um pouco sobre você: quem é a Ana Esther?
Ana Esther – Eu nasci em Erechim/RS mas logo a minha família foi para Caxias do Sul e depois Porto Alegre onde cresci e fiz a faculdade de Letras/Inglês na UFRGS. Estudei francês, italiano e até alemão na escola onde a minha mãe lecionava, que tinha o Centro de Línguas Estrangeiras do Florinda Tubino Sampaio para a comunidade em geral, quase de graça. Depois de formada fui para a Inglaterra por um ano para seguir os estudos de inglês, viajei um bocado pela Europa e na volta entrei para o Mestrado na UFSC, fixando-me então em Florianópolis. Lecionei língua inglesa e literatura, e fui para a Austrália cursar International Business. Tive a oportunidade de viajar bastante, porém, a vida deu muitas voltas lá do outro lado do mundo e quando finalmente retornei ao Brasil, resolvi assumir a minha vontade de ser uma escritora! Não posso deixar de mencionar o apoio e incentivo que a minha mãe sempre me deu, era a minha fã Número 1 desde sempre (e para sempre minha fonte de inspiração e perseverança). Ela adorava ler os meus livros e era louca pelos meus personagens.

J – Como você começou a escrever?
AE– Desde pequena eu tive uma imaginação ‘mirabolante’ muito fértil, adorava fantasiar e viajava no tapete voador. A minha mãe me contava muitos contos de fadas e outras historinhas, inclusive umas que ela inventava (se perderam, pois não as registramos…). Depois eu comecei também a ler. Comecei então a ter vontade de escrever as minhas próprias histórias porque eu geralmente não gostava dos finais dos contos, livros e nem das novelas na TV. Foi aí que escrevi A Cidade dos Polvos quando eu tinha 12 anos e que ficou mofando numa gaveta por longos anos. Embora eu sonhasse em ser escritora não levei o sonho a sério. Virei professora. Até que chegou um momento de crise existencial em que decidi colocar o meu sonho em prática e escrever de verdade. Fiz uma experiência escrevendo o livro Terapia Ocupacional, Contos (2004). Eles eram baseados nos questionários que eu havia previamente entregue a amigos e parentes, e a partir das respostas eu extraía seis elementos que deveriam forçosamente aparecer nos contos. Foi um longo e maravilhoso desafio que me deu ânimo suficiente para seguir em frente com a minha carreira como escritora. Creio que o meu amor por animais, meu gosto por viagens e meus interesses literários influenciam muito no que eu escrevo. Outro estímulo foi um personagem que eu inventei na época da faculdade, O Pelicano. Eu o desenhava e fazia uma charge diária no quadro da sala de aula e os meus colegas e professores começaram a pedir os Pelicanos do dia! Com este gosto pelos desenhos dediquei-me também a cursos e oficinas de ilustração e quando publiquei o meu primeiro livro com minhas próprias ilustrações, O Carvalhinho Solitário (2011) fiquei inchada de tanta faceirice.

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Personagem O Pelicano. (Divulgação/blog da Ana Esther)

J- A maioria dos seus livros são infantis. Por que você se dedica a esse tipo de literatura?
AE- Percebo a minha imaginação fantasiosa como sendo um tanto quanto megalômana e mais adaptável aos temas ‘aventurescos’ e fantásticos. Tenho maior dificuldade em conciliar meu estilo com uma linha mais tradicional de literatura para adultos. Extravaso a minha inventividade e talvez mesmo a minha insatisfação com o trivial, com o lado  prosaico da vida, escrevendo aventuras mais para um público infantil ou juvenil. Sinto que os meus livros Cadê o Cagu? e o Lendo nas Entrelinhas poderiam ter sido voltados para adultos se não fosse essa minha tendência a fantasiar. Os meus dois livros para público mais adulto Terapia Ocupacional, Contos (2004) e A Mochileira Tupiniquim nas Trilhas da Nova Caledônia (2005) também contêm alto grau de fantasia e aventura. Nas minhas crônicas para adultos precisei recorrer a personagens cartunizados como a Mega Vó, que é uma super-heroína defensora dos idosos oprimidos, e o Teófilo Brás, o Torcedor Brasileiro mais Azarado do Mundo, uma crítica social. Aliás, fica cada vez mais difícil discernir a faixa etária do público alvo, muitos adultos estão gostando de literatura tida como infantil e juvenil e em contrapartida leitores mirins cada vez mais cedo interessam-se por temas mais complexos.

J – Quem são suas influências literárias? 
AE- Minhas influências tanto para as minhas escolhas de leitura quanto para a minha própria produção literária estão mais ligadas a diversos estilos do que a algum escritor em específico. Gosto muito dos contos de fadas (coletados pelos Grimm, La Fontaine, Andersen), adoro contos de autores bem variados de terror (sou chegada em vampiros!), suspense, detetives, alguma ficção científica e gibis (amo o Tio Patinhas), graphic novels, adoro também a literatura brasileira do século XIX (Machado de Assis, José de Alencar, Joaquim Manoel de Macedo) e as inglesa e americana dos séculos XVIII e XIX… Como tive a oportunidade de estudar inglês, francês e italiano, eu gosto de ler vários autores no idioma original. Tenho um grande interesse em ler escritores desconhecidos ou pouco conhecidos, adoro a sensação de me considerar uma das raras leitoras desses escritores. Mas também adoro a Odisseia do Homero, a literatura gaúcha (Érico Veríssimo, Moacyr Scliar) e agora estou lendo inúmeros autores de Santa Catarina. Ah, e tem uma escritora que eu amo de paixão, já li todas as obras dela, sem faltar nenhuma, a Ana Esther!

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Ana com o boneco Teófilo Brás, o Torcedor Mais Azarado do Mundo (acervo pessoal)

J- Me conte um pouco sobre a produção do seu livro Lendo nas Entrelinhas.
AE –
A ideia para o livro Lendo nas Entrelinhas (2012) surgiu quando em 2006 eu estava fazendo o curso Professional Children’s Writing à distância no Thomas Education Direct, uma escola australiana e a minha instrutora era a escritora infantil australiana Jill McDougall. Ela havia pedido um exercício chamado 5-Point Plotting Guide, um esquema para roteiro de livro com cinco itens principais. E eu tive então que criar a First Idea (Ideia Inicial) e depois fazer o tal roteiro. É claro que eu escrevia tudo em inglês, tanto que o livro acabou sendo uma tradução do que eu escrevi em inglês com o título original Reading Between the Lines. Eu escolhi escrever um conto de terror e suspense pois amo este tipo de história e até porque a minha dissertação no Mestrado foi sobre a Literatura Gótica Inglesa do século XIX para a qual eu pesquisei livros como FrankensteinDracula, Vathek, The Monk e aí por diante… Já dá, então, para saber de onde veio a inspiração para a charada que os gêmeos precisam desvendar no livro. Resolvi ambientar a história em Sydney porque eu morei lá um tempo (inclusive na rua onde a personagem Elsie mora!) e gostaria que esta minha experiência também fosse retratada em meus escritos. Contudo, não pude me conter e coloquei um livro brasileiro na temível estante dos Livros de Transição, o livro Uma Ilha Cheia de Bruxas que no final me inspirou a escrever o poema com o mesmo título sobre a nossa amada Florianópolis.

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O poema Uma Ilha Cheia de Bruxas foi recitado no lançamento do livro, e os que estavam presentes  receberam uma cópia impressa.

 J- Se o livro tiver uma continuação, como deve ser?
AE – O meu projeto inicial para este livro previa uma trilogia. Tenho o esquema todo montado para os dois próximos livros. Um destaque é o crescimento do papel do Detetive Godfrey Darwin. O Detetive juntamente com a Elsie, o Horace e o Angus tentarão evitar que os bruxos matem mais pessoas aumentando por consequência o número de bruxos. No terceiro livro, a previsão é de um enfrentamento das duas dimensões.

J – De todos os seus diversos personagens, qual deles é mais parecido com você e por quê? 
AE – Hum, acho que é o Didi do livro Cadê o Cagu? (2010). Eu escrevi o Didi sempre pensando em mim! Quando eu era criança, os meus interesses e brincadeiras não eram muito típicos das meninas da época, embora eu amasse bonecas e tivesse um montão delas. Mas eu gostava também de brincar com laboratório químico, subir em árvores, colecionar objetos encontrados pelas ruas em caminhadas, eu brincava muito com meus amigos guris mais do que com as gurias! No caso deste livro, o meu sonho era criar um detetive e imaginei o Didi, não me ocorreu criar uma detetive mulher porque na época eu estava escrevendo uma outra história com uma heroína poderosa chamada Bibiana (ainda não publicado) e, na minha cabeça, eu não quis ser repetitiva uma vez que os dois personagens me refletiam! Minha ideia original era fazer do Didi um detetive individual, porém à medida que fui escrevendo o personagem Apollon Savant para contracenar com o Didi, me apaixonei por ele e achei que seria lindo fazer aqueles dois brilharem como uma dupla insólita de detetives. Na segunda aventura, que já está pronta e só falta publicar, os dois estão sensacionais juntos!

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Livros da Ana Esther publicados, incluindo participação em 3 antologias da ACPCC, Associação dos Cronistas,  Poetas e Contistas Catarinenses

J- Qual foi o livro mais difícil de escrever? 
AE – Foi o livro A Cidade dos Polvos (2011). Foi muito trabalhoso porque eu havia escrito o original quando tinha 12 anos. Ele estava cheio de erros ortográficos, algumas repetições desnecessárias, falta de ligações (coerência e consistência) e quando eu resolvi trabalhá-lo para poder publicá-lo em forma de livro percebi todo o potencial daquela história. Contudo, eu não queria interferir demais, desejava conservar a ideia da criança (eu!) que tinha escrito aquele texto. Foi um trabalhão detalhado que durou vários meses. Difícil também foi me convencer a mudar totalmente o final do livro. No original, o final revela que tudo não passara de um filme no cinema, ou seja, aquela aventura não havia de fato acontecido… Então eu me surpreendi e lembrei-me da minha indignação quando criança leitora que os livros com aventuras fantásticas geralmente acabavam sendo sonhos, pesadelos, imaginação fértil ou outro artifício e eu não gostava disso. Foi aí que eu resolvi assumir o final do meu livro como sendo uma “história real” para ser coerente com os meus pensamentos da época. E eu nem sei o que me fez, aos 12 anos, escrever um final que não me satisfaria… Hoje, graças a esse pensamento todo sobre as minhas próprias idéias que repassei para o texto final, eu amo este livro, é o meu xodó!

Se quiser conhecer mais sobre a Ana Esther e suas obras, acesse o blog dela neste link. 🙂