Portal Catarina

Nupill lança site de obras e documentos de autores catarinenses

O Núcleo de Pesquisas em Literatura, Informática e Linguística da Universidade Federal de Santa Catarina (NUPILL) lançou um site que disponibiliza obras completas e digitalizadas de 330 autores catarinenses, além de documentos históricos relacionados às vidas deles.

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O Portal Catarina já está no ar e abriga 4503 obras literárias, das quais serão digitalizadas e disponíveis para download apenas as de domínio público. O restante dos títulos aparece no banco de dados, com informações detalhadas sobre cada publicação. O acervo histórico conta com 2639 documentos digitalizados, entre cartas, audiovisuais, fotografias e manuscritos originais de obras.

Biblioteca Digital – O projeto de digitalização das obras começou em 1995, e a ideia era fazer uma biblioteca para toda a literatura brasileira, iniciando pelo autor Machado de Assis, cujas obras hoje estão completamente disponíveis online. Além da produção dos autores, acessível desde 2000, professores responsáveis pelo projeto Hubert de Phalèse sugeriram que o NUPILL elaborasse também um banco de dados com detalhes da vida de cada um. A diferença entre os sites é que na Biblioteca Digital tais informações seriam abertas a qualquer leitor.

_DSC4392Em 2007, o projeto foi aprovado pelo CNPq, e pôde ser financiado pelo Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (PRONEX), já que era o único nesse nível em ciências humanas em Santa Catarina. Um dos idealizadores do projeto foi o professor Lauro Junkes, que faleceu em outubro do ano passado. Enquanto foi presidente da Academia Catarinense de Letras, facilitou o empréstimo de material de acervo que o NUPILL precisava para criar o portal. Desde 2008, 30 alunos de graduação e pós-graduação e 8 professores estão envolvidos na Biblioteca Digital.

*Conteúdo publicado originalmente no site do projeto de extensão Cotidiano UFSC, em setembro de 2011. Texto (atualizado) e fotos são de minha autoria. 

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Comer, Rezar, Amar

Esse livro era para ser um diário de viagem, como tantos outros que existem por aí. Encomendado e comprado antecipadamente pela editora, o livro ia basicamente falar da viagem da jornalista e escritora Elizabeth Gilbert pela Itália, índia e Indonésia (mais especificamente Bali). No entanto, a história real acaba sendo um livro de auto-ajuda. Eu normalmente não leio esses livros, mas acho interessante quando as lições são passadas por meio de histórias (Augusto Cury o diga!), e ainda melhor quando essas superações são reais.

Liz começa o livro com um casamento em crise. Ela estava com 30 anos, seu marido queria filhos, ela não. A incompatibilidade virou um inferno e ela pediu o divórcio. A situação piorou e o cara tirou TUDO dela. Liz deixou suas coisas na casa da irmã, a editora comprou o livro, e ela pôde fazer sua viagem. Nesse meio-tempo, ela achava que podia curar um amor mal-resolvido com outro amor, e entrou num relacionamento conturbado:

“Eu me agarrei a David para fugir do meu casamento como se ele fosse o último helicóptero saindo de Saigon. Depositei nele toda minha esperança de salvação e de felicidade. E sim, eu o amei. Mas, se eu conseguisse pensar numa palavra mais forte do que “desesperadamente” para descrever o modo como amei David, usaria essa palavra aqui, e um amor desesperado é sempre o tipo mais difícil de amor” – atire a primeira pedra quem nunca caiu numa cilada dessa.

Elizabeth é gente como a gente. Na Itália ela ainda lutava contra sua depressão, e demorou um tempão para que ela desapegasse de todos os problemas que havia deixado para trás, ou que ela deveria ter deixado.

20160527_152242Enquanto estava lendo, algumas pessoas disseram “a parte da Índia é chata”. Só para ser do contra, foi a parte que li mais rápido, e acho que é a  mais importante do livro. A autora estava tentando buscar seu equilíbrio físico, mental, emocional, psicológico e espiritual. É claro que a pessoa não precisa viajar pelo mundo para encontrar as respostas que ela buscava, como a receita para ser feliz sozinha, entre outras. Cada um tem seu tempo e sua fórmula. A de Liz foi se afastar de tudo e se trancar em um ashram (uma espécie de mosteiro) na Índia. Acredito que nesse campo tudo seja válido, ou quase tudo, desde que não prejudique ninguém.

Por fim, ela vai a Bali. Liz escolheu esse lugar porque já havia estado lá fazendo uma matéria para uma revista, e um xamã leu sua mão e disse que ela voltaria lá. Para não descumprir, ela retornou. O intuito da viagem era tirar o famoso ano sabático para colocar as ideias no lugar. Além disso, ela se propõe a não se envolver com ninguém nesse período, tanto que se questiona diversas vezes se já está preparada para ficar com alguém novamente – inclusive quando aparece alguém que quer isso.

O livro não tem um final porque a vida dela não teve um final. Ela escreveu o livro “Comprometida” como continuação, que além de falar dos problemas diplomáticos que enfrentaram para se casar, fala sobre o casamento em diversas culturas.

Comer, Rezar, Amar traz alguns ensinamentos, que podem soar clichês, mas que quem já esteve lá sabe que são verdade. Eis dois exemplos:

“O fato de eu ser capaz de escrever calmamente sobre isso hoje é uma grande prova dos poderes de cura do tempo”

“A gente precisa ter o coração partido algumas vezes. Isso é um bom sinal. Quer dizer que a gente tentou alguma coisa”

Como consegui: herdei de uma amiga que estava se desfazendo dele, em 2015. O curioso é que depois que li e dei minha opinião sobre o livro, e lembrei a ela de algumas passagens, ela (que tinha lido em 2009) o pegou emprestado de novo rsrs

Nota: 8

Ficha: Comer, Rezar, Amar – Elizabeth Gilbert
Editora Objetiva
Ano: 2008
342 páginas