O Ralo da Consciência

O livro de hoje é do jovem autor José Fontenele, que foi meu colega de universidade. José, caso você leia, não leve a mal minha crítica, ok? 😉 

Observação: tem spoiler!

O Ralo da Consciência narra a história do contador Gregório em busca de uma solução para suas dores de cabeça. Ele não quer ir ao médico e acaba por frequentar toda semana uma farmácia diferente para comprar seus analgésicos. Um belo dia, um jovem aleatório que Gregório nunca viu na vida lhe diz que sua dor de cabeça é porque Gregório tem a consciência pesada e precisa de um ralo pra esvaziá-la, e ainda que poderia ajudá-lo. O contador fica com aquela ideia na cabeça por vários dias e começa a rondar o local onde tinha encontrado o jovem para saber como poderia fazer isso.

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Selfie com o livro

Os dois se envolvem numa trama dominada por Luiz Fernando, um hacker com um projeto megalomaníaco para saldar as dívidas bancárias de todas as pessoas do mundo e se tornar um mártir amado pelo povo e odiado pela burguesia.

O livro é bem escrito e provoca curiosidade no leitor, que, é óbvio, quer saber o que vai acontecer no final. Mas eu esperava outro desfecho, com mais emoção. Confesso que fiquei um pouco desapontada. Pensei que no meio da operação ia dar tudo errado e Luiz Fernando seria preso. Seria o clímax da história e, como não ocorreu, achei que não teve um clímax: tudo se resolve sem grandes tensões, o que não condiz muito com a metade da história em diante.

A história é ambientada em Curitiba, mas poderia acontecer em qualquer lugar do mundo, pois não achei que o local tenha influenciado no enredo. Por ser o primeiro livro de Fontenele, acho que o autor tem potencial e pode desenvolver seus textos ainda mais.

Um problema que ocorre nesse livro, e que independe do autor, é a falta de revisão. A diagramação é um pouco problemática e temos que abrir muito o livro para conseguir ler nas margens de dentro. Resultado: o livro não se fecha mais, além de atrapalhar a leitura. Outro prejuízo da falta de revisão, dessa vez no texto, são os muitos erros de concordância que aparecem. No entanto, adorei a capa psicodélica.

Nota: 6.

Ficha: O Ralo da Consciência
Autor: José Fontenele
Ano: 2015
Editora: Letras e Versos

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