Academia de Letras de Balneário Camboriú lança concurso de trovas

A Academia de Letras de Balneário Camboriú (ALBC), de Santa Catarina, recebe até o dia 31 de julho as inscrições para o I Concurso de Trovas. Cada participante poderá enviar duas trovas inéditas com o tema Universo. Serão escolhidos cinco vencedores na categoria Veteranos e outros três na categoria Novos Trovadores, além de cinco menções honrosas e cinco menções especiais.

Para concorrer à categoria Novos Trovadores, writing gif.gifo candidato não pode ter obtido três premiações em outros concursos de trovas. A determinação é da União Brasileira de Trovadores (UBT), que apoia o concurso. “Qualquer um pode participar dos nossos concursos, embora seja difícil ter sua trova classificada. Mas é possível: tem que ser inédita e de sua própria autoria, tudo de acordo com as normas da UBT”, explica Ari Santos de Campos, presidente da Academia de Letras de Balneário Camboriú.

O concurso homenageia a poeta lageana Mara Terezinha de Souza (assinava como Marah Guedes), que participou da fundação da ALBC e ocupou a cadeira de número 4. Mara foi eleita presidente da Academia por duas vezes consecutivas e implantou atividades culturais como varais literários, poesias na praia, sessões de panegíricos (discursos e elogios a alguém) e sessões da saudade. Seu último trabalho foi o livro Anonimato, publicado em 2012, ano em que faleceu. Trovas enviadas com homenagens a Mara Souza serão consideradas “hors-concours

Como enviar a trova?

regulamento concurso de trovas bc 2017
Clique para abrir o documento.

Os trabalhos podem ser enviados pelo correio ou por e-mail. Também por determinação da UBT existe um padrão no preenchimento dos envelopes e dos e-mails, que não devem ter arquivos anexados: o poema deve ser escrito no corpo do e-mail, com fonte Arial 12, sem espaços e identificada com o nome, endereço completo, telefone e e-mail do participante.

Para enviar pelo correio, o poeta deve seguir os seguintes passos:

1 – Datilografar ou digitar o tema e a trova na face externa de um envelope de cor branca, com medidas de aproximadamente 8 x 11 cm.

2 – Colocar dentro desse envelopinho um papel com a identificação do autor: endereço completo, contatos e assinatura. Lacrar o pequeno envelope, para manter o sigilo exigido nos concursos.

3 – Colocar o envelopinho dentro de outro maior e remeter para o endereço do concurso. Como remetente, colocar sempre “Luiz Otávio” (ou outro nome que o regulamento estipular) e repetir o endereço do destinatário.

As duas trovas podem ser enviadas dentro de uma mesma correspondência, não sendo necessário enviar duas vezes.

academia de letras de BC

Mas o que é uma trova?

Trova ou quadrinha é um poema com quatro estrofes de sete sílabas cada (redondilha maior). É obrigatório o uso de rimas, seja de maneira simples (ABCB), alternada (ABAB), oposta ou interpolada (ABBA), ou, ainda, emparelhada (AABB). Deixo aqui exemplo do querido Mário Quintana:

Trova

Coração que bate-bate
Antes deixes de bater!
Só num relógio é que as horas
Vão batendo sem sofrer.

Mário Quintana

#DiáriodeBordo: Cursando Letras -Italiano

Resolvi criar essa categoria aqui no Blog pra relatar minhas aventuras no curso de Letras e Literatura Italiana na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) se eu tiver tempo e se eu lembrar de fazer isso hehe. Algum blog que sigo me inspirou a fazer esse Diário de Bordo, infelizmente não consigo me lembrar qual foi, mas se lembrar edito o post pra referenciar! Também achei interessante contar, já que todo mundo com quem eu converso não faz ideia do que tem um curso de Letras estrangeiras.

Como isso aconteceu? Sou formada em Jornalismo pela mesma universidade, e desde ano passado estava pensando que:
1) precisava voltar a estudar porque queria pagar meia entrada no cinema
2) eu precisava usar meu italiano pra alguma coisa. Deixei o idioma enferrujar no meu cérebro desde 2011, quando concluí um curso no CIB (Círculo Ítalo-Brasileiro de SC). Nesse tempo, SÓ PRA AJUDAR eu fui aprender espanhol (parei no fim do ano passado), o que todos os dias me faz soltar uma frase mesclando as duas línguas desde que as aulas começaram na UFSC, semana passada (6/3). CAZZO! ou ¡MIERDA!

estudando literatura

O que tem nesse curso?  Estou na 5ª fase (ou 5º semestre, ou 5º período, depende de onde você, leitor, é), na disciplina de Língua Italiana. As outras peguei do início, turma de calouros mesmo: Introdução aos estudos da narrativa (os olhos B R I L H A M *-*) e Introdução aos estudos da tradução (sorriso besta na minha cara). Essas duas últimas são bem gerais, e as aulas e textos são todos em português.

Então agora eu vou contar pra vocês o que aconteceu nas…

Duas primeiras semanas de aula

Em Língua Italiana V a gente fala em italiano o tempo todo. É claro que todo mundo comete erros, todo mundo esquece palavras, e eu misturo com espanhol de vez em quando. Teremos que preparar aulas sobre tópicos do idioma em que temos dificuldade, pra tentarmos tirar nossas dúvidas e dos outros colegas. Demais, né? 😀

Essa disciplina tem 8 créditos e tem dois professores. A outra parte é de textos literários, mas ainda não começou pois a outra professora da disciplina está de licença maternidade.

Em Estudos da Narrativa eu já me apaixonei pelo plano de ensino logo de cara: vamos ter que ler Machado de Assis, Clarice Lispector, Robert Louis Stevenson (O médico e o Monstro), Daniel Defoe (Robinson Crusoé) e Ítalo Calvino (Se um viajante numa noite de inverno). Cês sabem que eu sou ALOKA dos clássicos, né? >.<

livros robinson crusoe e o medico e o monstro

Nessa semana, já com os textos teóricos, fiquei pirando com o artigo do Vladimir Propp Morfologia do conto maravilhoso. É INCRÍVEL como tudo ou quase tudo tem os mesmos elementos estruturais básicos, e o estudo é de 1929! Fiquei lendo e pensando principalmente nas sagas que tanto adoro!

Em Estudos da Tradução senti que estamos desconstruindo coisas, e acho que a tendência é só aumentar. Costumo ler o texto original quando sei o idioma, o livro não é tãooo denso e a original chega até aqui, mas não tinha parado pra pensar que traduzir é praticamente escrever uma nova obra. Não que isso esteja errado, porque muitas obras não chegariam até nós se não fosse a tradução. Louco, né?

Essas foram minhas primeiras impressões sobre o curso de Letras. O que acharam? Alguém aí faz Letras também e compartilha da mesma empolgação?

Jornalista lança livro sobre idoso que matou a própria esposa

O último abraço será lançado na livraria Livros e Livros, em Florianópolis, na próxima segunda-feira (13), às 18h. Mais informações no evento do facebook

Em 2014, Nelson Golla, à época com 74 anos, matou sua esposa Neusa, 72, com uma bomba caseira na clínica para idosos onde ela vivia após sofrer dois AVCs e definhar a cada dia – Neusa também não suportava mais viver. A intenção dele era morrer junto da esposa com quem vivera por 54 anos e, no entanto, saiu apenas ferido. O caso foi chamado na Justiça de “Um Romeu e Julieta da terceira idade”.

o ultimo abraço vitor hugo brandalise
Divulgação/Editora Record

Em tempos nos quais se fala muito sobre feminicídio, o mote do livro O último abraço pode parecer muito estranho. Quando o fato aconteceu, o jornalista Vitor Hugo Brandalise também sentiu esse mesmo estranhamento, já que as primeiras notícias (rasas) sobre o caso diziam se tratar de um ato de amor para livrar Neusa de seu sofrimento. Vitor resolveu investigar a fundo a história, que deu origem a uma reportagem publicada na plataforma Brio e no jornal O Estado de São Paulo. Pouco mais de um ano depois, a grande reportagem retorna em formato de livro, com muito mais detalhes, transcrições de cartas e divagações do “personagem” central.

Conversei um pouco com o Vitor para saber mais sobre a produção dessa reportagem, e você pode ler agora 😉

Literatismos O que despertou seu interesse pela história do Seu Nelson e sua esposa no primeiro contato com a notícia? 
Vitor Hugo – Creio que foram as muitas perguntas ainda sem respostas. A notícia dizia que um idoso havia explodido uma bomba em um asilo, numa tentativa de se matar e matar a esposa, mas que conseguira só a metade, ele havia sobrevivido. Como ele prosseguiria, depois de um ato como esse? Que desespero viviam Nelson e Neusa para tomar essa decisão? Eles haviam, de fato, tomado a decisão juntos, numa espécie de pacto? Ele deixou uma carta em que explicava os seus motivos – o que diria nela? Por que escolhera uma bomba? Eles tinham três filhos – será que eles conseguiriam aceitar o que houve como ato de amor? Foi mesmo um ato de amor? A nota dizia ainda que eles eram casados há mais de 50 anos. Escrever sobre os extremos a que o desespero (e mesmo o amor) podem levar uma pessoa mexeu muito comigo, e mergulhei na história do casal.

Em que momento você decidiu que, mais do que uma série de reportagens, ela deveria ser registrada em formato de livro?
VH – Acho que foi logo de cara. Imaginei que além da história de um casal desesperado existiam dilemas comuns a muitas pessoas quando chegam na velhice. E eram questões complexas: a velhice solitária, a vida em um asilo, as dificuldades de encarar a decadência do corpo, o suicídio na terceira idade (média de três idosos por dia, no Brasil), e havia ainda a questão da eutanásia. Para tratar disso tudo em profundidade, a narrativa teria necessariamente de ser longa. Decidi então apurar e escrever, desde o começo, como se fosse para um livro.
contra capa o ultimo abraço
Contracapa, foto do autor

L – Como foi o contato com seu Nelson e a família? Eles se mostraram abertos a contar essa história e a deixá-lo publicar?
VH – Nunca foram fáceis. Havia sempre muita emoção nos encontros, com o seu Nelson, especialmente. Mas creio que eles, inclusive Nelson, perceberam que havia algo de extraordinário na vida do casal, e também algo de universal. Havia uma causa de fundo, uma função social forte na experiência deles. Desde os primeiros contatos, busquei tratar os acontecimentos, mesmo os mais questionáveis, com um olhar de compreensão, tentando evitar julgamentos. Creio que essa postura ajudou a criar uma relação de confiança que perdura ainda hoje.

L – Qual foi o ponto mais delicado de abordar, seja nas entrevistas ou na hora de redigir?
VH – Tentar reconstituir, por meio de depoimentos de Nelson, os últimos dias do casal juntos, especialmente o último dia, inclusive o que se passava na cabeça dele, foi muito desafiador. Havia um repórter pedindo a um homem que reconstituísse em detalhes os dias mais duros da vida dele. Nesses momentos, Nelson se esquivava, mudava de assunto, se emocionava. Era preciso, nesses momentos, alguma delicadeza para perceber até que ponto era possível ir, sem forçá-lo a falar do que não queria.

L- Depois de ter apurado, e analisando toda a história, que aspecto mais lhe chamou a atenção?
VH – Essa pergunta é difícil. Há uma fala de Nelson que me marcou bastante, em uma de nossas primeiras conversas: “Quando passa a viver com alguém, você se transforma completamente, fica enraizado, e já não tem como viver sem ela”. Enraizado, um junto do outro, uma só raiz prendendo duas pessoas a um pedaço de solo. Creio que um aspecto muito importante nesta história é como é difícil acompanhar a decaída, lenta ou rápida, de alguém com quem se conviveu uma vida inteira.

 

SERVIÇO

O que: Lançamento do livro O último abraço, de Vitor Hugo Brandalise
Quando: 13 de março, às 18h
Onde: Livraria Livros e Livros – UFSC , Florianópolis

 

 

 

 

Resenha: A Bandeira do Elefante e da Arara

Você consegue imaginar uma saga ambientada no Brasil Colonial com personagens mágicos do folclore brasileiro? Saci-Pererê, Iara, Curupira e Mula sem Cabeça nos são bastante conhecidos e aparecem no livro A Bandeira do Elefante e da Arara, do autor Christopher Kastensmidt. Mas além desses aparecem diversos outros nem tão conhecidos como a Flor-do-Mato e o Pai-do-Mato, e alguns quase desconhecidos (ou desconhecidos em certas regiões do país) como o Capelobo, o Labatut, o Mapinguari e o Corpo-Seco. O maior mérito do autor é inserir todos esses personagens numa história épica, tirando-os da ambientação infantil que é praticamente nossa única referência em folclore (oi, Monteiro Lobato).

a-bandeira-do-elefante-e-da-araraOs protagonistas da saga são o holandês Gerard van Oost e o africano Oludara, que chegou ao Brasil num navio negreiro e teve sua liberdade comprada por Gerard  para acompanhá-lo em aventuras pelo Brasil. Em seu caminho eles encontram portugueses, franceses, tribos Tupinambás e Goitacás, diversas criaturas mágicas brasileiras e feras legendárias que eles ajudam a combater. Por onde passa, a dupla faz amigos e inúmeros inimigos.

Fiquei bastante admirada com a construção da história, que me lembrou um pouco da rapsódia de Macunaíma, do Mario de Andrade, tanto pela temática do folclore brasileiro, como pela andança dos personagens pelo país. Outra característica é a tentativa de mostrar a identidade nacional com toda a mistura de cores, culturas e religiões:

“Viaje por esta Terra de um lado até o outro, e não encontrará duas pessoas iguais” – Oludara

Todos os personagens que aparecem têm alguma forma de preconceito. Oludara o tempo todo é tratado como escravo, e Gerard precisa frisar o tempo todo que Oludara é um homem livre; Gerard tem preconceitos contra o que ele chama de magia pagã; por sua vez, Oludara não entende as religiões cristãs e suas restrições; os padres católicos têm preconceito religioso para com Gerard, que é protestante, e o tratam como se estivesse condenado ao inferno. Apesar disso, na maior parte das vezes eles omitem suas opiniões e conseguem aceitar o outro para conviver em paz. Pois não é assim que deveria ser, num país com tanta miscigenação? Nessas questões também é visível a evolução dos personagens, principalmente pela convivência com a diversidade.

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Ilustração de Gerard e Oudara, feita por Sula Moon

É claro que, como em toda saga, não tem só aventuras, mas também um pouco da cultura e da sabedoria de cada povo que se propõe a apresentar, trazendo lições que podem ser úteis para os leitores e até mesmo tocantes. O livro tem passagens engraçadas, mas também mortes tristes, e em muitos momentos fiquei apreensiva pela vida de outros personagens que corriam perigo.

O livro A Bandeira do Elefante e da Arara reúne dez histórias da dupla Gerard e Oludara. Algumas delas já haviam sido publicadas separadamente e editadas em quadrinhos. Alguns dos contos venceram prêmios mundo afora, tendo sido publicados primeiro em inglês e traduzidos para outros idiomas, além de comercializados em diversos países, como Holanda, Romênia e República Tcheca. Em outubro do ano passado, logo que meu exemplar veio na Nerd Loot, fiz uma entrevista com o Christohper Kastensmidt, que você pode ler aqui se quiser saber mais sobre como esse gringo se interessou tanto pela cultura brasileira. 😉

Ficha Técnica

Título: A Bandeira do Elefante e da Arara – Christopher Kastensmidt
Ano: 2016
Páginas: 326
Editora Devir
ISBN: 9788575326374

Nota: 10, me conquistou!

Resenha: Andando Sozinho

Primeiro romance do escritor Fernando T. Moraes, natural de Itajaí (SC), Andando Sozinho acompanha o personagem Carlos Montenegro na tentativa de esclarecer as circunstâncias misteriosas que envolveram a morte de sua namorada da adolescência, Amanda Marcondes.

Carlos é visivelmente problemático, com uma tendência forte ao alcoolismo e depressão, desencadeados provavelmente pelos fatos dramáticos que ocorreram em sua vida. Ele abandona sua cidade natal, Santana, após a morte de Amanda, e depois de dez anos recebe um estranho bilhete datado de muito depois da morte dela, e assinado pela própria Amanda. Ele compara com uma última carta que ela lhe havia escrito e confirma que a letra era a mesma. Decide então voltar à minúscula cidade para tirar essa história a limpo.

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Divulgação/Fernando T. Moraes

Entre reencontros com pessoas amigas, Carlos percebe uma atmosfera estranha envolvendo a cidade, que traz também personagens muito suspeitos. Quando ele chega à cidade, a história toda do assassinato de Amanda vem à tona. Gostei bastante do uso de capítulos do tempo presente alternados com digressões do dia fatídico, e no meio das cenas cotidianas comuns vão aparecendo situações incomuns e até mesmo bem tensas. Algumas cenas são muito bem descritas, chegando a dar desconforto. Como escritor de suspense, Fernando poderia explorar mais esses recursos.

Infelizmente, o autor deixou uma ou outra ponta solta (que não vou contar o que é, porque será spoiler caso você queira ler). Nada que prejudique o entendimento, mas você fica se perguntando o que aconteceu com aquilo. Algumas explicações também vieram um pouco tarde. Confesso que eu já táva meio p* com um certo fato, do qual poderia haver indícios antes e poderia se confirmar posteriormente.

Acho que o Fernando tem bastante potencial para crescer como escritor. Se quiser conhecer mais sobre ele, acesse esse post aqui em que falei um pouco sobre esse lançamento e o primeiro livro dele, Bem-vindo à escuridão, de contos.

Ficha Técnica

Título: Andando Sozinho – Fernando T Moraes
Ano: 2015
Páginas: 222
ISBN: 978-85-8473-413-9
Editora: Multifoco

Nota: 7